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ISRAEL-PALESTINA

Israel freia a construção de novas moradias na Palestina e os EUA falam de "dois Estados"

Há somente dois dias, Netanyahu tinha anunciado a construção de 618 moradias, logo após resolução da ONU. Em meio a crise diplomática com os Estados Unidos, Kerry afirmou "Apoiamos a solução de dois Estados".

quinta-feira 29 de dezembro de 2016| Edição do dia

O primeiro ministro israelita, Benjamín Netanyahu, freiou hoje a aprovação da construção de habitações em colônias judiais no território ocupado de Jerusalém leste, horas antes do esperado discurso em Washington do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, sobre a resolução do conflito Israel-Palestina. Israel teme uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU na qual se fixem algumas linhas para a resolução do conflito e a criação de um Estado palestino.

A decisão aconteceu depois de na sexta-feira passada o Conselho de Segurança da ONU aprovasse, com a importantíssima abstenção dos EUA, a resolução 2334, uma dura condenação às colônias israelitas e que pede o cessar "imediato" e "completo" e proporcionou o maior choque entre Netanyahu e o presidente Barack Obama nos últimos oito anos.

O Comitê Local de Planificação e Construção de Jerusalém tinha previsto aprovar naquela manhã as autorizações para edificar 492 moradias nas colônias judias de Ramot e Ramat Sholomo, mas a votação foi retirada da ordem do dia "a pedido do primeiro ministro", explicou Efe Hanán Rubin, membro do Comitê.

O motivo foi "evitar um conflito" com a administração Obama e "que a comunidade internacional relacione" a aprovação destas moradias com a condenação da ONU às colônias e o repúdio sobre este assunto que se espera de Kerry, sinaluzou Rubin.

A resposta norte-americana: a solução de dois Estados

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, assegurou hoje que seu país não vai "defender uma dinâmica perigosa" e que continua apoiando uma "solução de dois Estados" como "única forma" de conseguir uma paz "duradoura" no conflito Israel-Palestina.

Kerry defendeu assim a decisão norte-americana de não fazer uso de seu poder de veto na votação de sexta-feira passada no Conselho de Segurança da ONU que exigiu dr Israel o fim da sua política de assentamentos em territórios palestinos.

"Este voto tinha o objetivo de defender a solução de dois Estados", disse Kerry, cujo governo havia protegido Israel no passado em resoluções parecidas à aprovada na sexta-feira pesando a oposição de sua política de estabelecer novas colônias em território palestino. A "solução dos dois Estados" é reacionária, já que por um lado implica reconhecer o Estado sionista de Israel que se fundou sob um "genocídio em parcelas" do povo palestino. E por outro lado, dar o status de "Estado" aos territórios sob controle palestino": a Faixa de Gaza, uma verdadeira prisão a céu aberto cercada e a Cisjordânia.

O discurso de Kerry acontece semanas antes de que Obama seja substituído por Donald Trump na Casa Branca e em um dos momentos mais tensos nas relações entre os EUA e Israel.

Fontes oficiais israelenses/israelitas reconhecem que existe o temor de uma segunda intervenção internacional antes da saída de Obama, em um pouco mais de três semanas. Da mesma maneira, o próprio primeiro ministro israelense afirmou que "está desejando trabalhar com o presidente eleito Donald Trump", quem havia solicitado a Obama que vetasse a proposta de resolução na ONU.

Este ano, Israel triplicou as autorizações para casas em colônias de Jerusalém em comparação a 2015: foram aprovados planos para 1.506 moradias, frente a 775 do ano passado e 395 de 2014, informou esta semana o diário Haaretz.

Este crescimento, sinaliza o rotativo, aconteceu em paralelo com o aumento das demolições de moradias palestinas, a maioria delas por não contar com autorizações municiais que, segundo a ONU, são praticamente impossíveis de conseguir.

Ao redor de 300.000 palestinos vivem na parte oriental de Jerusalém, que estes reivindicam como capital do seu futuro Estado, em uma zona que também residem por volta de 200.000 colonos judios em 25 assentamentos, segundo dados da ONG ismraelí Shalom Ajshav (Paz Agora), que faz um acompanhamento do desenvolvimento das colônias.




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