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Irmão de Ciro fala que PT merece perder a eleição e mostra que combate a Bolsonaro foi só retórica

O irmão de Ciro Gomes, derrotado no primeiro turno da eleição presidencial, foi a um evento de apoio à candidatura de Haddad. Cid começou fazendo críticas duras ao partido e, diante das vaias, perdeu o controle e chamou os petistas de 'babacas' e disse que o 'partido merece perder'. Ele disse: "vão perder feio porque fizeram muita besteira, aparelharam as repartições públicas e acharam que eram donos de um país. E o Brasil não aceita ter donos".

terça-feira 16 de outubro| Edição do dia

Cid disse: "tem de fazer um mea culpa, pedir desculpa, ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira (...) Não admitir os erros que cometeram é para perder a eleição. E é bem feito".

Sob vaias, Cid chamou de "babacas" aqueles que protestavam contra seu discurso e disse que o partido "merece perder" caso não faça uma autocrítica. A frase do irmão de Ciro foi: "vão perder feio porque fizeram muita besteira, aparelharam as repartições públicas e acharam que eram donos de um país. E o Brasil não aceita ter donos".

Cid elogiou Haddad, a quem se referiu como "boa pessoa", mas acusou o partido de ter criado o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. "Foram essas figuras que acham que são donas da verdade, que acham que podem fazer tudo", disse.

Ao se referir a Lula, Cid Gomes voltou a ser crítico: "Lula o quê? Ele está preso, babaca. Lula vai fazer o quê? Babaca, babaca. Isso é o PT e o PT desse jeito merece perder".

Essa postura inesperada dos irmãos Gomes e do PDT, com Ciro indo à Europa nesse segundo turno, e vários candidatos do partido declarando voto em Bolsonaro evidenciam que a retórica agressiva contra Bolsonaro não passava de demagogia para tentar capitalizar a justa raiva que os trabalhadores, mulheres, negros e LGBTs sentem de Bolsonaro.

Cid ao invés de ter em primeiro lugar como alvo o combate frontal a extrema direita, prefere estender a briga dos eleitores petistas e de seu irmão Ciro, que enquanto se acusam nas redes sociais de serem os culpados pela provável vitória de Bolsonaro, não buscam se mobilizar nas ruas para se enfrentar até o final com a sua base e só querem canalizar eleitoralmente.

Ciro, assim como Haddad, apresentava programas de mais ataques contra os trabalhadores para jogar a crise nas nossas costas, e tentou canalizar o rechaço à extrema-direita para fortalecer eleitoralmente esse projeto.

Acompanhamos os trabalhadores que querem impedir o governo de Bolsonaro, por isso votamos criticamente em Haddad. Mas não damos nenhum apoio político ao PT, que iniciou os ataques contra os trabalhadores, governou com grandes capitalistas, assimilou as práticas de corrupção típicas desse sistema político em decadência e quer enfrentar a direita somente no voto e não na luta.

As grandes entidades sindicais e estudantis dirigidas pelo PT e PCdoB de Haddad e Manuela, como a CUT, CTB e UNE precisam sair da paralisia e construir massivos comitês de mobilização e defesa nos locais de trabalho e estudo para desde já combatermos a extrema-direita na luta de classes, como já fazem milhares de estudantes de forma independente em faculdades de todo país. Se unirmos nossas forças na ação através desses comitês de base, podemos enfrentar Bolsonaro e os empresários com um programa que exija o não pagamento da dívida pública, a revogação da reforma trabalhista e da terceirização geral, revogação da PEC do teto de gastos, a efetivação de todos os terceirizados, salário mínimo do DIEESE (R$ 3674) igual para negros e brancos, homens e mulheres.




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