Gênero e sexualidade

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Irlanda: os sindicatos se somam à companha pelo direito ao aborto

Dirigentes de vários sindicatos se somaram na quarta-feira, 23, à exigência de revogar a oitava emenda constitucional que nega às mulheres o direito ao aborto legal e seguro.

Celeste Murillo

Argentina | @rompe_teclas

sexta-feira 25 de novembro| Edição do dia

Na quarta-feira, dia 23, dirigentes e organizações sindicais da Irlanda se somaram à ativistas e à Coalizão pela Revogação da Oitava Emenda na cidade de Dublim para exigir o final dessa trava constitucional que bloqueia qualquer reforma sobre a interrupção da gravidez.

O protesto se realizou na ponte do rio Liffey na cidade de Dublim. A oitava emenda, estabelecida em 1983, equipara os direitos do feto com os da mulher e se transformou em um enorme obstáculo para o acesso ao aborto legal e seguro.
Os sindicatos e organizações presentes no protesto exigem a realização de um novo referendo para que a população tenha a oportunidade de se pronunciar sobre o tema. Mary Diskin, porta-voz da Campanha Sindical para Revogar a Oitava Emenda, disse, “O aborto é uma realidade na Irlanda: entre 1980 e 2014, se registraram ao menos 163 514 mulheres para realizar abortos fora do país”.

Uma pesquisa recente mostrou que a maioria da população apoia a revogação da Oitava Emenda para legalizar o acesso ao aborto. Segundo a pesquisa de Irish Times/Ipsos MRBI: 55% apoia o aborto legal para os casos em que está em risco a saúde da mãe ou casos de estupro, 19% considera que o acesso ao aborto deve ser legal sempre que a mulher solicite (como ocorre na Grã Bretanha) e 18% acredita que a emenda não deve ser retirada.

Dado que o aborto é legal na Escócia e Inglaterra, as irlandesas viajam para esses países para interromper sua gravidez de forma segura. Porém, uma viajem para se realizar um aborto na Grã Bretanha pode chegar a custar 3 mil euros, uma soma que está fora do alcance de muitas mulheres, especialmente jovens, trabalhadoras e pobres.

O secretário regional do Unite (um dos maiores sindicatos do Reino Unido) afirmou, “o ano passado, 3 400 mulheres viajaram para a Grã Bretanha para ter acesso ao aborto. Como sindicado a favor do direito ao aborto, o Unite têm discutido consistentemente que a oitava emenda deve ser revogada como um primeiro passo para permitir às mulheres o acesso seguro, legal e que possam custear a interrupção de gravidez na Irlanda”.

Violam-se os direitos das mulheres

Em junho de 2016, um Comitê da ONU emitiu uma resolução que declarava que a lei irlandesa que proíbe o aborto havia violado os direitos de Amanda Mellet, uma mulher irlandesa-estadunidense, a quem em 2011 se negou o direito ao aborto apesar de haverem diagnosticado uma anomalia mortal do feto. A denúncia apresentada ante o Comitê de Direitos Humanos em novembro de 2013 no Centro de Direitos Reprodutivos em nome de Amanda Mellet assentou um precedente para as organizações que redobraram a luta para revogar a emenda.

Como explicam as organizações de mulheres e de direitos humanos, a emenda sustenta grandes obstáculos legais inclusive para os poucos casos de aborto não punível, como aqueles em que a saúde da mulher está em risco.

Os direitos das mulheres não são coisa de mulheres

O apoio e impulso das organizações políticas e sociais, como os sindicatos, são vitais para avançar na conquista do direito ao aborto, assim como outros direitos das mulheres.

Esta não é a primeira vez que os sindicatos do Reino Unido apoiam desde suas organizações os direitos das mulheres. Nos anos 1970, ao calor de greves das trabalhadoras por igualdade salarial e da mobilização generalizada das mulheres, se conformou a Campanha Nacional pela igualdade de direitos para as Mulheres, demonstrando o peso das mulheres na força de trabalho e a importância da mobilização do conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras pelos direitos das mulheres.




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