RORAIMA

Interventor de Roraima é o governador eleito pelo PSL, privatista e xenófobo

Temer escolheu o próximo governador eleito ao governo de Roraima para intervir integralmente no estado, na prática uma antecipação de sua posse. Entenda o caráter da intervenção e quais os planos de Temer e do futuro governador bolsonarista para os trabalhadores e imigrantes de Roraima.

domingo 9 de dezembro de 2018| Edição do dia

Na última sexta-feira, 8, Temer anunciou uma nova intervenção federal em um estado. Dessa vez foi em Roraima, cujo interventor, ao invés de um militar como no Rio de Janeiro, é ninguém menos que o futuro governador eleito no estado, o empresário Antônio Denarium, do PSL de Bolsonaro. Ele deverá ser referendado nessa segunda-feira.

Além disso, trata-se de um interventor “integral”, que assumirá todas as funções do governo do estado, 1 mês antes de sua posse, enquanto a antiga governadora seguirá no cargo e recebendo o salário. Na prática significa a antecipação de seu mandato, uma mostra da proximidade entre os projetos de Temer e dos bolsonaristas.

Antônio Denarium deverá assumir para assumir compromissos com o governo federal de realizar duríssimos ajustes fiscais, privatização de estatais, em meio a uma situação em que o estado tem recebido inúmeros imigrantes venezuelanos com militares na fronteira e a antiga governadora negociando com Maduro a expulsão deles de volta à Venezuela.

O futuro governador já foi gerente de banco, financista e chefe de cooperativa ligada a setores do agronegócio e da pecuária, responsáveis pela repressão aos povos indígenas na região e o desmatamento. Defendeu ao longo de sua campanha o fechamento da fronteira com a Venezuela, em uma postura ainda mais xenófoba que a antiga governadora, alinhado com Bolsonaro.

Propõe como solução pra crise do estado a privatização de estatais de uma forma ainda mais radical que se deu em estados como o Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que também tiveram planos de recuperação fiscal com o governo Temer. Servidores estão sem salários desde outubro e agora recebem como resposta um governador que deverá se incorporar ao Programa de Recuperação Fiscal do governo federal, que propõe privatizar e fechar estatais, consequentemente gerar demissões e perdas salariais e de direitos dos servidores. O senador Romero Jucá (MDB) recomendou também demissão de terceirizados contratados pelo governo.

Além dele, Temer nomeou dois generais para serem secretários da intervenção: Temer indicou dois secretários para o governo de intervenção: o general Eduardo Pazuello, que coordena a operação que cuida da migração venezuelana, para secretário da Fazenda, e Paulo Costa, que já era interventor no Sistema Prisional do estado, para secretário da Segurança Pública. Ou seja, uma intervenção que usará da força dos militares para conter os venezuelanos e massacrar ainda mais nos presídios.

Com relação à situação caótica nos presídios, foi incumbido de responder como foi feito inúmeras vezes no ano passado, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Norte, no Espírito Santo: dura repressão por parte de policiais e militares, após indícios de torturas usadas contra os presos, falta de comida e chacinas, ou seja, uso ainda maior da violência por parte do próprio Estado.

Essa é intervenção encerraria no final do ano, antes da real posse do governador. Porém adianta o projeto ultraliberal, xenófobo e repressivo que Denarium junto a Bolsonaro querem implementar neste estado. Uma medida que permitirá antecipar a maneira como a extrema-direita lidará com os governos dos estados em momentos de crise, uma pequena demonstração do programa ultraliberal contra os trabalhadores, da inspiração trumpista do PSL e dos bolsonaristas em relação à imigração de venezuelanos, assim como da atuação dos militares contra os presídios.




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