Economia

Inimigos dos trabalhadores: Senado articula com governadores reforma em estados e municípios

No Senado, corre em paralelo à proposta da Reforma da Previdência a PEC 133. Esta tem por objetivo potencializar os ataques contra a aposentadoria de trabalhadores e outros direitos alcançando também os estados e municípios. Trata-se de uma manobra oportunista de Tasso Jereissati (PSDB-CE), também relator da proposta da Reforma da Previdência no Senado, para fazer com que estas mudanças, amplamente rechaçadas quando a Reforma da Previdência transitava pela Câmara, sejam impostas e sem perda de tempo.

segunda-feira 16 de setembro| Edição do dia

No Senado, corre em paralelo à proposta da Reforma da Previdência a PEC 133. Esta tem por objetivo potencializar os ataques contra a aposentadoria de trabalhadores e outros direitos alcançando também os estados e municípios. Trata-se de uma manobra oportunista de Tasso Jereissati (PSDB-CE), também relator da proposta da Reforma da Previdência no Senado, para fazer com que estas mudanças, amplamente rechaçadas quando a Reforma da Previdência transitava pela Câmara, sejam impostas e sem perda de tempo.

A reforma que é a “menina dos olhos” dos capitalistas pode ganhar uma “cereja no topo do bolo” através de uma manobra conhecida como PEC Paralela da Previdência. A proposta de adição de estados e municípios foi alvo de grande polêmica quando percorria a Câmara. Esta “emenda de PEC” visa passar por cima do próprio e já corrompido jogo institucional. Colocando-a separada da “reforma mãe” da previdência, ela não precisará retornar à Câmara tornando mais rápido a aprovação dos ataques para aumentar o tempo de contribuição de servidores estaduais e municipais, entre outros ataques.

O medo dos efeitos de tal inclusão para as eleições do ano que vêm (2020) fez com que a adição fosse deixada de lado na Câmara. Seria necessário para a aprovação da PEC 133 sua passagem pelas Assembleias Legislativas no começo de 2020, fato péssimo para os políticos capitalistas e seu senso aguçado de oportunismo. Sabem que a “emenda” é extremamente impopular e isso prejudicaria seus votos.

Contudo, diante do avanço da Reforma da Previdência na Câmara e o momento político favorável para o avanço de mais ataques, a PEC Paralela da Previdência mostra força no Senado. Alcolumbre e outros políticos do “centrão” ajustador pensam formas de fatiar a PEC 133, reúnem-se constantemente com outros deputados e senadores para articular uma proposta de passe.

Tal situação, no primeiro semestre tratado como improvável, só tornou-se possível graças à paralisia das grandes centrais sindicais da CUT e CTB, dirigidas por PT e PCdoB durante os 9 meses de governo Bolsonaro. Não apresentaram um plano de luta ou deram respostas à altura contra tamanho ataque, política traidora que se complementa com sua postura nos Estados que governam, onde defendem a reforma da previdência. Sem comentar nas “Tabatas” e outros políticos da “centro-esquerda” empresarial e latifundiária que votaram pela reforma da previdência.

No dia 26 de Junho, Alcolumbre sentou-se com os governadores do Nordeste, em sua maioria do PT e PCdoB . Na reunião, segundo consta em matéria oficial do Senado foi negociado que os governadores darão apoio à reforma que sequestra o valor da aposentadoria dos futuros aposentados (alterando regra de cálculo) e impõe à idade mínima de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres desde que obtenham recursos da privatização do pré-sal.

Mesmo com essas traições e o avanço da reforma, quase dois meses depois (16/09), num momento político claramente à direita, a preocupação dos senadores capitalistas continua sendo o rechaço popular contra a reforma, medo que foi suficiente para retirar a inclusão de estado e municípios na Reforma da Previdência na Câmara e continua sendo uma preocupação central: o rechaço popular que pode atrapalhar nos votos em 2020, ou pior, converter-se em ação.

É este todo o medo e conspirações contra os direitos dos trabalhadores. A classe trabalhadora mostra que não está derrotada e desmoralizada como Bolsonaro e seus capachos esperavam, como exemplifica a forte greve dos Correios e a queda da popularidade Bolsonaro após as escandalosas queimadas (que continuam).

Ver também: [A verdade sobre os governadores do PT e PCdoB e a reforma da previdência->http://www.esquerdadiario.com.br/A-verdade-sobre-os-governadores-do-PT-e-PCdoB-e-a-reforma-da-previdencia

É preciso tirar lições dessa posição dos governadores do PT e das direções sindicais para que os trabalhadores possam desenvolver a luta contra a reforma e cada corte que segue em curso, como os da educação. Para se enfrentar com Bolsonaro é preciso também se enfrentar com a reforma essencialmente idêntica promovida por Maia e Alcolumbre, e para isso é preciso que os trabalhadores tomem em suas mãos os rumos da mobilização, impondo aos sindicatos e centrais sindicais verdadeiros planos de luta.




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