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Inimiga das mulheres: ministra de Bolsonaro defende que as mulheres morram em abortos clandestinos

Damares Alves, futura ministra de Bolsonaro, declarou-se contra o aborto e em defesa de que sigam morrendo milhares de mulheres por abortos clandestinos todos os anos. Para ela "mulher nasceu para ser mãe" e o aborto "não desengravida".

quinta-feira 6 de dezembro| Edição do dia

Damares Alves, a nova ministra do governo Bolsonaro, irá assumir o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Pastora evangélica, a reacionária Damares coleciona um vasto arsenal de declarações que mostram que não basta ser mulher para lutar em defesa das mulheres. Na realidade, Damares é uma verdadeira inimiga da mulheres, já se posicionando contrária à legalização do aborto: "Um Brasil sem aborto" é a meta da ministra, que afirmou que será garantido por meio de políticas que tratem de planejamento familiar.

O aborto é uma realidade no Brasil e no mundo, sendo hoje a 4ª causa de morte materna, penalizando principalmente as mulheres pobres e negras, sendo que de cada 4 mulheres que morrem, 3 são negras. Isso porque são as que mais carecem de dinheiro para pagar procedimentos em clínicas particulares, já que as negras são também as que recebem em média 60% a menos que os homens brancos. Se encontram jogadas à própria sorte recorrendo à métodos caseiros, medicamentos e abortos cirúrgicos em clínicas clandestinas. Ao se posicionar contrária à legalização do aborto, Damares fecha os olhos para as milhares de mortes por aborto clandestino no Brasil.

Leia mais: O direito ao aborto precisa ser conquista com nossa luta

"Eu sou contra o aborto. Eu acho que nenhuma mulher quer abortar, as mulheres chegam até o aborto porque possivelmente não foi lhe dada uma outra opção”, declarou a futura ministra. O argumento da extrema-direita, reacionária e conservadora, que se apoia em uma concepção religiosa sobre a vida, não responde em momento algum tantas mortes. Os mesmo que se posicionam contrário ao aborto, também se posicionam contra todas as medidas que podem avançar para que de fato as mulheres possam fazer escolhas sobre seus corpos, como educação sexual nas escolas, com projetos reacionários como o assim chamado "Escola Sem Partido", que é na verdade a "Escola da Censura".

Em uma demonstração ultra reacionária, Damares afirmou que "o aborto não desengravida nenhuma mulher" e hipocritamente fingiu se preocupar com as milhares de mulheres que recorrem ao aborto no país, declarando que "a gravidez é um problema que dura apenas nove meses, mas que o aborto é um problema que se carrega para a vida toda". Seu discurso trata mulheres como meras "incubadoras". Segundo ela, "mulheres nasceram para ser mães".

Não há separação entre as políticas públicas para oferecer direito de escolha às mulheres: a extrema-direita utiliza o falso argumento tentando separar o aborto de medidas preventivas. É preciso defender desde a educação sexual nas escolas para que jovens tenham o direito de decidir, contraceptivos gratuitos para prevenir e aborto legal, seguro e gratuito para não morrer. Enquanto Bolsonaro e seu governo atacam a luta histórica das mulheres pelo direito ao aborto legal, precarizam a saúde levando à frente a PEC do teto dos gastos, que sucateia ainda mais o SUS.

Ao mesmo tempo que, em nome do lucro dos patrões, Bolsonaro defende as reformas de Temer, como a trabalhista e a lei da terceirização, e a aplicação de mais reformas e ajustes, que precarizam as condições de trabalho, afetando principalmente as mulheres pobres e trabalhadoras, em sua maioria negras. Com jornadas duplas e até triplas, como já defendeu Damares, mulheres devem ser responsabilizadas pelo trabalho doméstico e cuidado dos filhos, em postos de trabalho precarizados, com saúde e educação sucateadas. O plano de governo neoliberal que leva Bolsonaro irá descarregar a crise capitalista nas costas dos trabalhadores, despejando nas mulheres ainda mais ataques machistas e reacionários, empurrando todas à condição de ainda mais exploração e miséria.

Inimigo das mulheres, o governo Bolsonaro deve ter sua resposta nas ruas: com a força das mulheres, ao lado dos trabalhadores, construindo uma enorme frente única de toda a classe trabalhadora, exigindo que as centrais sindicais, como a CUT e a CTB, rompam seu imobilismo que perdura desde o governo Temer, permitindo que ataques como a reforma Trabalhista, fossem implementados, chamando assembleias para organizar todos os trabalhadores contra o governo neoliberal e machista que Bolsonaro se propõe a fazer, e colocando o programa de luta das mulheres como parte do programa de toda a classe, que será defendido nas lutas e greves inclusive pelos trabalhadores homens, mostrando que recusamos a divisão entre homens e mulheres que serve apenas para enfraquecer a nossa classe.


Mulheres argentinas e a "maré verde": luta pela legalização do aborto levou centenas de milhares para as ruas.

As mulheres não devem, em nenhum momento, depositar suas ilusões que as pautas históricas serão garantidas por via das urnas, uma vez que o PT nos governos de Dilma Rousseff foi incapaz de garantir o direito ao aborto legal, seguro e gratuito. A força das mulheres contra Bolsonaro, levando centenas de milhares às ruas, deve ser organizada em torno de um programa que lute contra os ataques e ajustes, pelo direito ao aborto legal e à vida de todas as mulheres.




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