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Indústria aproveita desemprego aumentando seus lucros, diz relatório da CNI

quarta-feira 3 de maio de 2017| Edição do dia

A indústria teve alta nos últimos meses de 2,4% em março, em relação a fevereiro. Segundo o estudo Indicadores Industriais, divulgado nesta quarta-feira, 3, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Nos últimos cinco meses, a alta acumulada foi de 5,5%, um cenário diferente do pintado pela patronal para justificar as demissões em massa nos últimos dois anos.

O estudo mostrou que, na realidade, longe de ameaçar fechar, as indústrias do país lucraram com as demissões em massa nestes cinco últimos meses. O dado é que a utilização da capacidade instalada no setor aumentou 0,4 ponto porcentual, subindo para 77,1%, um pouco superior aos 76,7% registrados no mês anterior, na série dessazonalizada. Este "aumento da produtividade" é baseado única e exclusivamente no aumento da exploração de cada trabalhador, levando em conta os inúmeros bancos de horas, lay-offs e demissões no setor desde 2015 que reduziram diretamente a capacidade instalada no setor.

Os dados mostram que o custo da crise na indústria foi pago pelos trabalhadores com o desemprego, demissões, e aumento do ritmo de trabalho daqueles que se mantiveram na função. Outra forma também de lucrar é a demissão com recontratação por salário menor e com contratos mais vantajosos aos patrões.

Outro dado mostra isso claramente: o emprego e as horas trabalhadas na produção caíram em março em relação a fevereiro. O emprego caiu 0,2% nessa comparação e as horas trabalhadas, 0,7%. Foi o terceiro mês de queda consecutiva dos dois indicadores, segundo o estudo. Estes sãos os dados do momento de recuperação, enquanto que segundo levantamento PNADC do IBGE, a redução de vagas na "indústria geral" em todo o período de 2015 e 2016 foi de 2,013 milhões.

Os Indicadores da CNI ainda mostram que a massa salarial e o rendimento na indústria cresceram pela primeira vez em cinco meses. Claro que, a massa salarial aumentou muito menos do que os lucros, em 0,4% em março frente a fevereiro e rendimento teve alta de 1,2% no período, na série dessazonalizada.

Segundo a CNI "manteve-se a dinâmica observada nos últimos meses: os dados da indústria alternam variações positivas e negativas, sem caracterizar ainda uma tendência de retomada da atividade". O economista da CNI Marcelo Azevedo reforça que os indicadores continuam oscilando e seguem negativos. "No entanto, o cenário segue negativo, pois os índices estão estabilizados em patamar bem abaixo dos registrados no ano passado". Todos os indicadores tiveram queda no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2016. Na comparação, o faturamento recuou 6,7%, o emprego caiu 4,4% e as horas trabalhadas reduziram 3,3%. Já a massa salarial é 5,6% inferior e o rendimento está 1,2% abaixo do primeiro trimestre do ano passado.

Tudo isto é para justificar seguir demitindo na indústria e aumentando o ritmo de trabalho, e muitas das reformas de Temer, como a reforma trabalhista, vem também para beneficiar os capitalistas e fazer com que os trabalhadores paguem pela crise, com o desemprego e a super-exploração, e relações mais precarizadas e flexíveis para os patrões saírem lucrando.

Contra o desemprego é necessário defender uma jornada de trabalho de 6 horas, 5 dias por semana, para que todos trabalhem. Os capitalistas que dizem ter perdas devemos exigir a abertura dos livros de contabilidade, e isto tornará claro que seguem lucrando horrores com a nossa exploração. É necessário também uma lei que proíba as demissões por parte destas empresas, que os capitalistas paguem pela crise com seus lucros.

Nos apoiando no que foi a última paralisação nacional, é preciso organizar comitês de base nas fábricas e exigir dos sindicatos a organização de um plano de lutas para derrotar as demissões, derrubar as reformas e Temer impondo uma saída dos trabalhadores.

Leia mais: Governo Temer gerou novos milhões de desempregados. Como resolver esse problema?




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