Industria Calçadista no Rio Grande do Sul demite 1,1 trabalhadores em apenas uma semana em meio à epidemia

Segundo esse mesmo levantamento, o setor calçadista já cortou mais de 32,8 mil postos de trabalhadores por todo o país, o que representa mais de 12% do total empregado na mesma época do ano passado.

terça-feira 19 de maio| Edição do dia

Na tarde desta terça-feira (19), a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), liberou os resultados de sua pesquisa que revela 1,1 mil demissões na indústria calçadista na Rio Grande do Sul em apenas uma semana. Ao todo, 8,93 mil postos de trabalho já foram cortados no setor no RS, e na semana passada, esse número era de 7,82 mil.

Segundo esse mesmo levantamento, o setor calçadista já cortou mais de 32,8 mil postos de trabalhadores por todo o país, o que representa mais de 12% do total empregado na mesma época do ano passado. Por enquanto, São Paulo continua sendo o estado do país com o maior número de demissões: ao todo são mais de 10,16 mil. O Rio Grande do Sul é o segundo no ramo que mais colocou os trabalhadores na miséria no meio da crise do coronavírus, seguido por Minas Gerais que já acumula 5 mil desempregados no setor. Já nos estados do Nordeste, as demissões somam mais de 6,12 mil.

Ao todo são 32,8 mil demissões. Isso quer dizer que, no Brasil, são 32,8 mil famílias que foram mandadas para a rua, e obrigadas a esperar na fila do insuficiente auxílio de 600 reais que o governo ineficientemente distribui para a população conseguir sobreviver em meio a crise do corona. Todas essas famílias perderam sua fonte de renda pelo que os governantes e empresários chamam de "desaceleração da economia", mas as únicas medidas que tomam são as que buscam atacar ainda mais os trabalhadores, enquanto por outro lado aplicam todas as medidas necessárias para proteger os bancos e o empresariado.

No momento em que os trabalhadores mais precisam de seu sustento para garantir uma boa alimentação, moradia, condições sanitárias básicas para combaterem o vírus, é trágico que as patronais aproveitem para realizar demissões em massa. A crise do coronavírus trouxe consigo uma nova etapa da crise capitalista, que demonstra de forma mais clara a brutalidade do Estado e a sua serventia quando se trata de atacar os direitos básicos dos trabalhadores para salvar os lucros dos grandes capitalistas. Na prática, isso nos traz um cenário de extrema miséria nos próximos meses, a medida que adentramos ainda mais a pandemia, ao mesmo tempo que o sistema de saúde público precarizado pelos próprios governos entra em colapso, sendo incapaz de salvar as vidas da população que é obrigada a se expor aos riscos do coronavírus das maneiras mais absurdas para que não morram de fome.

É urgentemente necessária a proibição das demissões para a garantia de renda de todos os trabalhadores. É necessário arrancar dos governos uma lei categórica proibindo as demissões além de garantir 100% dos salários e direitos para os que tiverem o trabalho suspenso e o mesmo para os que integram os grupos de risco, visando atacar os lucros capitalistas, dos bancos, das indústrias e das empresas, para que eles paguem por essa crise ao invés da classe trabalhadora com as suas vidas.

O valor do auxílio emergencial é insuficiente para garantir a vida dos trabalhadores, por isso defendemos que cada trabalhador receba 2000,00 reais de renda mínima para sobreviver em meio a pandemia. E para além disso, todos precisam de atendimento hospitalar, testes disponíveis para toda a população, e para isso precisamos de mais recursos, equipamentos médicos, e contratações para fortalecer a saúde pública nesse momento, além da estatização de todo o sistema de saúde sob controle dos trabalhadores da saúde, para que as vidas sejam colocadas acima dos lucros dos grandes capitalistas.

imagem: Ricardo Benihcio - 30.ago.18/Folhapress




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