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REBELIÃO EQUADOR

Indígenas rejeitam pacto com governo do Equador: "Nada de diálogo com um governo assassino"

A Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), principal organização indígena do Equador, rejeitou nesta quinta-feira, 10, a possibilidade de diálogo com o governo do presidente Lenín Moreno para resolver a crise provocada pelo pacote de ajuda econômica pactuado com o FMI. "Nada de diálogo com um governo assassino", disse a Conaie em comunicado assinado por seu presidente, Jaime Vargas.

sexta-feira 11 de outubro| Edição do dia

O acordo com o FMI prevê acesso a uma ajuda de US$ 4,2 bilhões. Em troca, o governo adotou medidas de ajuste, entre elas o corte dos subsídios aos combustíveis, que aumentou em até 123% o preço do diesel. Em uma semana de protestos, 400 pessoas ficaram feridas, 800 foram presas e 5 morreram, incluindo Inocencio Tucumbi, líder indígena da Conaie da Província de Cotopaxi, fruto da violência policial de Lenin Moreno.

Nesta quinta, a polícia prendeu 17 pessoas, a maior parte delas venezuelanas, que teriam informações sobre os itinerários de Moreno e do vice-presidente, Otto Sonnenholzner. "Os 17 foram detidos no aeroporto de Quito. A maioria é da Venezuela. Eles tinham informações sobre a movimentação do presidente e do vice-presidente", escreveu no Twitter a ministra de Governo, María Paula Romo.

Há semanas a população do Equador se enfrenta com a militarização o decreto de estado de exceção e a repressão do governo da "nova direita", que quer aplicar uma reforma trabalhista e o aumento do preço dos combustíveis. O local está atravessado por uma onda de protestos de escala nacional, reunindo trabalhadores urbanos, camponeses e comunidades indígenas contra os planos de ajuste do governo Lenin Moreno e do FMI.

Veja mais: Equador: indígenas denunciam o assassinato de um de seus líderes e pedem a renúncia de ministros

Nesta semana, manifestantes indígenas que protestam contra Moreno detiveram oito policiais que há dias vêm atuando com uma medida completamente repressiva contra a população e assassinou essa semana um de seus líderes, na Casa da Cultura Equatoriana, em Quito. "Do lado de fora, nos disseram que o governo vai jogar bombas de gás aqui dentro. Então, não vamos soltá-los porque exigimos respeito", disse Fabián Mazanda, um dos representantes da Conaie.

De acordo com Mazanda, se os manifestantes forem reprimidos pela polícia dentro da Casa de Cultura, os policiais presos serão submetidos à "Justiça ancestral indígena". De acordo com a socióloga Natália Sierra da Pontifícia Universidade Católica do Equador, o Parque El Arbolito, onde se concentram os indígenas em Quito, é um local histórico que já foi palco de mobilizações em governos anteriores e, por isso, está sob a regra do estado de exceção indígena. Segundo ela, a aplicação da "justiça ancestral" é um ritual espiritual não violento. "Não há o sistema ocidental de detenção sem cura. Neste sentido, não é um castigo, é uma bênção. O ritual é feito com banhos de ervas, que os próprios indígenas também tomam para purificar. Eles têm a própria lógica, que não é o cárcere, mas a cura espiritual."

Eles também exigiram que a mídia, que estava fazendo uma cerca informativa, transmitisse suas declarações ao vivo e solicitou a renúncia da Ministra do Governo e do Ministro da Defesa.

Ao lado no palco, o presidente da Conaie informou: "ordenei nossos parceiros na Amazônia a fecharem todos os postos de petróleo". As declarações do líder indígena frustraram a expectativa aberta pelo presidente de um possível acordo com mediação da Igreja e da ONU.

O que ocorre no Equador é um grande exemplo para o Brasil: os ajustes só podem ser freados com os métodos da luta de classes e a mais ampla iniciativa de auto-organização das massas. Em especial a juventude brasileira, que é a vanguarda no combate aos ataques do governo à educação, é um importante fator para articular essa batalha com a luta contra os ajustes econômicos. Esta é a base sobre a qual pode se desenvolver uma esquerda com um programa anticapitalista, socialista e revolucionário, contra as burocracias sindicais e dos "movimentos" - mecanismos do Estado ampliado para organizar o consenso - que tentam travar essa auto-organização.

Veja mais: A explosão da luta de classes no Equador é um alerta a Bolsonaro e à direita regional

Com informações de Agência Estado.




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