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Indígenas em Porto Alegre enfrentam grandes dificuldades imposta pela crise do coronavírus

Frente a crise da COVID-19 comunidades indígenas passam por grandes dificuldades. Muitos denunciam que desde o início da pandemia o governo Bolsonaro vem negligenciando os auxílios destinado aos povos indígenas pela FUNAI.

sexta-feira 26 de junho| Edição do dia

Em Porto Alegre, reunidos em uma reserva indígena na Lomba do Pinheiro se encontra a comunidade indígena da tribo Kaingang. A comunidade abriga 65 famílias, num total de 270 pessoas, dentre elas, 90 são crianças. De todos eles, oito ingressaram na universidade. O Estado do Rio Grande do Sul conta com mais de 7 mil famílias indígenas no momento, que se encontram em situação de extrema vulnerabilidade.

Em meio a pandemia de Covid-19, todas essas famílias que já lutavam a cada dia pela conquista de direitos básicos, ficaram ainda mais desassistidas: se em épocas normais a ajuda do auxílio da Fundação Nacional do Índio (Funai) já é reduzida, em meio à pandemia do coronavírus o auxílio desapareceu, justamente no momento em que essas famílias precisam mais do que nunca de auxílio.

Segundo a PGR, a Funai não tem empenhado adequadamente as verbas, uma vez que recebeu cerca de 10,840 milhões (da emenda constitucional 942) e aplicou apenas pouco mais de 53 mil somente após a denúncia que mostrava que há 15 dias atrás ela não havia investido qualquer centavo no combate à Covid-19 nas comunidades indígenas.

Os recursos prometidos pela Funai para aquisição de alimentos durante a quarentena imposta pela Covid-19 jamais chegaram às casas da Lomba do Pinheiro. O cacique Kaingang Samuel da Silva, 29, da comunidade indígena Fag Nhin, denúncia: "até hoje não chegou uma cesta básica, não apenas na minha comunidade, mas em geral. Para ver as dificuldades que estamos enfrentando". "O Poder Público, não só com a questão indígena, mas de maneira geral, se tu não bater de frente, nada tu consegue", observa.

Sem ajuda do Estado que deveria prezar pelos indígenas, eles tem contado apenas com a solidariedade da população que tem se mobilizado arrecadando cestas básicas, roupas, colchões e cobertores para apoiar a comunidade Kaingang.

Além disso, em função da quarentena, a maioria dos indígenas que vendiam artesanato produzido pela comunidade como fonte de renda, agora não podem mais fazer isso. "A Funai nos esqueceu", completa, “Estamos de frente, sofrendo, como há 500 anos".

A ministra Damares alves, do ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, aplicou, dos 45 milhões que tem em caixa, apenas 1 mil de verbas para a o combate ao coronavírus em comunidades tradicionais e indígenas! Esta política de bruscamente acabar com os recursos financeiros estatais para a proteção da saúde dos povos indígenas em meio a epidemia é reflexo das intenções genocidas do governo Bolsonaro frente aos povos originários. Os indígenas são inimigos mortais dos latifundiários, apoiadores de primeira ordem de Bolsonaro. Além disso, são um dos grupos mais vulneráveis frente à Bolsonaro, que sempre deixou claro seu racismo em diversas declarações

Para não ser os trabalhadores e os mais pobres a pagarem por esta crise com suas vidas, é necessária a disponibilização de testes massivos, materiais de prevenção, ampliação de leitos e respiradores à toda a população, assim como proibir as demissões e garantir o pagamento de R$2.000,00 a cada trabalhador desempregado ou que não esteja recebendo para garantir sustento a todos.




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