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Índia ocupa parte da Caxemira: 7 milhões sob a mira do fuzil de Modi

No dia 5 de agosto, sob o comando do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, meio milhão de soldados indianos tomaram o disputado território de Jammu e Caxemira. O vale de 7 milhões de habitantes foi transformado em uma grande cadeia, com bloqueio das redes de internet e celulares, milhares de prisões preventivas de opositores e conflitos sangrentos com as centenas de rebeldes.

terça-feira 8 de outubro| Edição do dia

Desde que Nova Delhi decidiu romper com o status de província semi-autônoma da sua porção do território himalaio, anexando a província à Índia, centenas de milhares de soldados foram enviados em uma incursão militar de enormes proporções. Os serviços de internet e telefone foram bloqueados e mais de 4.000 pessoas imediatamente presas, entre elas as principais lideranças políticas da região, jornalistas, advogados e mais de 140 crianças. Há diversos relatos de abusos, torturas e execuções, incendiando uma crescente ira contra a operação indiana, principalmente entre a juventude, no que é uma região majoritariamente muçulmana constantemente atacada pelo preconceito religioso e xenofóbico dos conservadores indianos, atualmente encabeçados por Modi. Mais de 1000 pessoas ainda permanecem em prisão preventiva sem acusações claras, podendo permanecer até 2 anos, segundo a lei Indiana.

Manifestantes do JKLF na fronteira

Uma marcha de milhares se iniciou no sábado (5/10) no lado paquistanês da Caxemira em direção à Linha de Controle, que divide o território himalaio entre Paquistão e Índia. Os manifestantes pedem independência de ambos os países e o fim do toque de recolher militarístico imposto aos caxemires do lado indiano. Os protestos foram liderados pela Frente de Libertação de Jammu e Caxemira (JKLF), um grupo que opera em ambos os países pela independência da província. Atualmente os manifestantes do lado paquistanês se encontram em piquetes de prazo indefinido instalados a 10km da Linha, mas sem perspectiva de confronto com a barricada da polícia. Na segunda (7), Rafiq Dar, representante da JKLF, comunicou a mídia árabe Al Jazeera: “Não queremos nenhuma forma de confronto ou luta”. Exigem passagem pela Linha de Controle, para o lado indiano, ou que o secretário geral da ONU ou o Conselho de Segurança desta mandem representantes para abrir negociações. No lado ocupado, militantes da JKLF e apoiadores estão promovendo greves e atos em resposta por todo o território, fechando escolas e comércios. Dezenas militantes e apoiadores já foram mortos em operações do exército indiano, inclusive em território paquistanês próximo à fronteira.

Na última semana, na Assembleia Geral das Nações Unidas, primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, requisitou que os membros da entidade intervissem para que a Índia interrompesse o cerco. Khan teme que a tensão na fronteira, em um território disputado, leve à um conflito entre os dois países. Khan também manifestou receio quanto à possibilidade de uma insurreição caxemir no território ocupado, assim que o bloqueio nas comunicações for retirado, o que levaria à “um banho de sangue” promovido pelas tropas indianas e à uma possível culpabilização do Paquistão.

Frente à violenta ocupação e anexação, é preciso se colocar ao lado do povo de Jammu e Caxemira contra a censura, as prisões políticas e a violência promovidas pelo exército indiano sob a liderança de Modi. A Índia busca justificar a barbárie com uma narrativa “contra o terrorismo” que supostamente tem suas raízes na composição muçulmana da província, alimentando o preconceito e o ódio da extrema-direita indiana para poder avançar no controle da região himalaia. Índia e Paquistão não possuem legitimidade nenhuma para impor um destino ao povo de um território alheio, cuja independência foi retirada com a decomposição do principado ligado ao Império Britânico, em 1947. Hoje, é preciso exigir a retirada imediata das tropas indianas, o fim do bloqueio nas telecomunicações e que a solução da crise venha das mãos do próprio povo caxemir, que deve ter seu direito à autodeterminação absolutamente respeitado.




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