Internacional

EFEITOS DO CORONAVÍRUS

Índia: o que aconteceu no outro gigante asiático em tempos de coronavírus

Como vive o segundo país mais povoado do planeta na pandemia pelo coronavírus. Que medidas tomou o governo e por que crescem as tensões regionais.

terça-feira 4 de agosto| Edição do dia

Índia é o segundo país mais povoado do mundo (depois da Cina) com mais de 1.3 bilhões de habitantes e seu território é o sétimo maior.

Este gigante asiático, com uma cultura milenar e um recente passado como colônia inglesa, hoje é uma das principais economias do mundo que cresce anos seguidos a taxas que rondam os 8% e integra o seleto grupo de países com armamento nuclear (assim como seus vizinhos China e Paquistão).

Um dado interessante, é o maior produtor de remédios genéricos do planeta, com 20% da produção dos ativos que se usam para fazer medicamentos.
Nesse contexto, segue sendo um país de fortes desigualdades, que soma novos milionários a cada ano mas mantém 20% da população vivendo com menos de 2 dólares por dia.

Neste contexto chegou a pandemia. Segundo os últimos dados, a India tem mais de 1 milhão e 750 mil contagiados, o terceiro país com mais casos (atrás dos EUA e do Brasil).

No dia 22 de março, o Primeiro Ministro Narendra Modi anunciou um bloqueio total de todo o país. Isso derivou a um colapso pela paralisação de todo o transporte público, incluso o ferroviário ou de ônibus.

Para se ter uma ideia do impacto da medida, mais de 40 milhões de trabalhadores imigrantes das regiões mais remotas da Índia, ficaram presos nas grandes cidades aonde trabalham, Como Dehli, sem poder regressar a seus lugares de origem.

Essas medidas extremas do Primeiro Ministro não conseguiram frear o avanço da pandemia. Tenhamos em conta as deficiências estruturais na saúde, alimentação, higiene, além do que o destinado para a saúde pública não supera os 2%.
A crise causada pelo coronavírus já deixou 120 milhões de desempregados e se calcula uma contração da economia em torno de 5%.

O Governo de perfil nacionalista e direitista, até o momento responde a essa crise intensificando um discurso contra as minorias religiosas, por exemplo, os muçulmanos, e propondo leis que levem a maior flexibilização do trabalho.

Também houve um aumento na retórica nacionalista de Modi, em especial contra a China. Recordemos que no último dia 16 de junho soldados indianos e chineses se enfrentaram com pedras, paus e golpes no coração do Himalaia, a mais de 4 mil metros de altura.

Modi vem aprofundando a cooperação estratégica e militar com os Estados Unidos, facilitada pela afinidade político-ideológica que tem com Donald Trump. Ante a crise pelo coronavírus o Governo Indiano tratará de tirar proveito da disputa de Washington com Pequim.

Isso é um “print-screen” do outro gigante asiático, ainda que é preciso seguir de perto, tanto pelas tensões sociais internas que a pandemia agudiza, como pelo seu papel na tentativa estadunidense de frear a ascensão chinesa, que amplifica a potencialidade incendiária do conflito entre Índia e China.




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