Educação

CORTE DE PONTO

Apesar da direção do SINPEEM, educadores criam fundos contra o corte de ponto de Covas

Depois do corte de salário de Covas e Padula contra educadores em greve pela vida, trabalhadores organizados a partir dos comandos de greve pela cidade de São Paulo criam fundos solidários para não deixar nenhuma educadora desamparada no pior momento da pandemia no país. Frente a omissão do SINPEEM, principal sindicato da educação no município, que até agora não mexeu uma palha para organizar um fundo de greve, a organização dos trabalhadores é um exemplo de solidariedade em nossa classe.

segunda-feira 5 de abril| Edição do dia

Educadoras e educadores do município de São Paulo tiveram seus salários do mês de março cortados e terão que atravessar o pior mês da pandemia, até o momento, sem recursos para alimentar suas famílias, e o que dizer para pagar as contas. Isso acontece porque o prefeito Bruno Covas (PSDB) e seu secretário de educação Fernando Padula atacaram o direito de greve dos trabalhadores e cortaram o ponto de educadores em greve. Inclusive sem que a greve tenha sido julgada ilegal, o que por si só já seria um absurdo, mas mostra o nível de autoritarismo e desprezo por um direito básico dos trabalhadores como o direito de greve. Um escândalo sem tamanho, mas que tem sido a forma do PSDB agir onde governa. E não se trata de qualquer greve, mas uma greve pela vida! Contra o retorno inseguro, imposto por Doria e Covas, das aulas presenciais nas escolas que levou a explosão de novas casos e mortes de trabalhadores e até alunos no estado e no município de São Paulo. É assim que Covas e Padula, tratam os educadores que lutam por suas vidas e pelas vidas de toda a comunidade escolar. Da mesma forma que Doria e Rossieli acabaram de fazer no Estado.

Frente a essa situação é absurdo que o SINPEEM, o principal sindicato dos educadores do município de São Paulo, não mexeu uma palha para lutar contra a efetivação do corte de ponto que já havia sido anunciado. E agora, Claudio Fonseca (ex-vereador pelo CIDADANIA) e toda a direção ilegítima do SINPEEM novamente permanecem de costas para categoria, como fizeram durante toda a pandemia sem permitir que os trabalhadores decidam os rumos da luta em assembleias. Até o momento não organizaram absolutamente nada sobre fundo de greve! E estamos falando de um sindicato com uma arrecadação milionária! Exemplo mesmo foi a decisão, sem consultar os filiados, pela compra de vacinas para acelerar a vacinação. O sindicato é dos trabalhadores, assim cabe aos trabalhadores decidir tudo o que é feito com o valor da arrecadação sindical. Isso também vale para a APEOESP, dirigida pela deputada Bebel do PT, que chamou a greve, mas não a construiu de fato com a categoria. Porém mesmo sabendo que haveria corte de ponto dos professores que fizeram a greve, não organizou a luta para barrar e até agora nada sobre fundo de greve.

Veja também: Educadoras em luta pela vida exigem Fundo de Greve contra corte de ponto de Covas e Padula

Mas no município de São Paulo, frente a omissão do SINPEEM, são os próprios trabalhadores que tem se organizado em suas regiões para garantir o sustento dos trabalhadores que tiveram seus pontos cortados por Covas e Padula. É importante destacar que o ataque seria ainda maior não fosse a articulação de educadores que levaram os diretores, em um imenso número de escolas, a desobedecer as ordens de Covas e não cortarem o ponto. Mas assim que se confirmaram os cortes, a partir dos comandos de greve em cada região da cidade, os educadores do município começaram a organizar fundos solidários arrecadando recursos para amenizar o impacto do ataque do governo.

Veja ao final alguns exemplos.

Esse exemplo de organização dos trabalhadores deveria ser seguido pelos sindicatos, mas novamente é estarrecedor que o próprio Claudio Fonseca desencorajou professores a contribuir com os fundos solidários. Os sindicatos são nossas ferramentas de luta e precisam estar ao serviço de nossa luta. É urgente que SINPEEM e APEOESP organizem um fundo de greve. Além disso, que pressionem as centrais sindicais como CUT e CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, assim como a CNTE, a encamparem uma forte campanha nacional em solidariedade a luta dos educadores contra o retorno inseguro das escolas e pelo direito de greve que está sendo atacado pelos governos do PSDB.

Não é possível que enquanto o Bolsonaro, Doria, Covas e alas do regime do golpe institucional - militares, congresso e STF - avançam contra as nossas vidas, as centrais sindicais sigam com a sua passividade. O direito de greve que está sendo atacado por Covas e Doria é um direito de toda a classe trabalhadora.

Leia mais: Declaração do Movimento Nossa Classe Educação: Nenhuma mãe sem sustento por lutar! Contra o corte de salário de Covas e Padula




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