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"In Fux we Trust": ministro do STF estava em conluio golpista com Moro, Dallagnol e a Lava Jato

O procurador Deltan Dallagnol relatou em troca de mensagens detalhes de uma conversa em que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux declarou que a força-tarefa da Lava Jato poderia contar com ele "para o que precisar", segundo afirma o site The Intercept Brasil.

quinta-feira 13 de junho| Edição do dia

O procurador Deltan Dallagnol relatou em troca de mensagens detalhes de uma conversa em que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux declarou que a força-tarefa da Lava Jato poderia contar com ele "para o que precisar", segundo afirma o site The Intercept Brasil.

O trecho do diálogo foi apresentado pelo editor-executivo do site, Leandro Demori, em entrevista à rádio BandNews, nesta quarta-feira (12).

Segundo o editor do site, Deltan disse a um grupo de procuradores: "Caros, conversei com o Fux mais uma vez, hoje. Reservado, é claro: O Min Fux disse quase espontaneamente que Teori [Zavascki] fez queda de braço com Moro e viu que se queimou, e que o tom da resposta do Moro depois foi ótimo."

E continuou: "Disse para contarmos com ele para o que precisarmos, mais uma vez. Só faltou, como bom carioca, chamar-me pra ir à casa dele rs. Mas os sinais foram ótimos. Falei da importância de nos protegermos como instituições. Em especial no novo governo".

A seguir, de acordo com Demori, Deltan encaminhou o relato também para o então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro. Moro leu a mensagem e disse: "Excelente. In Fux we trust" (’em Fux nós confiamos’). A ligação de Moro com os EUA é tão grande que o chefe da Lava Jato brincou parafraseando a frase constante no papel do dólar, "In God We Trust".

Após as revelações, meios de comunicação como a Globo e o Estadão aprofundaram a orientação de enfatizar o "crime de invasão digital por parte de hackers", buscando frear a escalada de crise que se abate sobre a pró-imperialista Operação Lava Jato e suas personalidades. Fica mais claro que nunca que o objetivo da Lava Jato era atuar em prol do golpe institucional, da aplicação da reforma da previdência e da agenda neoliberal contra os trabalhadores.

Ainda segundo o site, as declarações foram feitas em abril de 2016, após a aprovação na Câmara dos Deputados da abertura do impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Fruto dessa primeira fase do golpe institucional, o direitista Michel Temer assumiu interinamente a Presidência em maio daquele ano, para aplicar ajustes mais duros do que os que vinha fazendo o PT, cujo programa de conciliação de classes e aliança com os setores da direita abriram caminho para o golpe.

As credenciais golpistas de Fux são amplamente conhecidas, como parte do autoritarismo judiciário instalado no STF. Fux foi o ministro responsável por barrar a entrevista de Lula à Folha de S. Paulo, antes do primeiro turno das eleições de 2018 (que como sugerem as mensagens vazadas de procuradores, era temida por poder influenciar o resultado eleitoral a favor do PT). “Determino que o requerido Luiz Inácio Lula da Silva se abstenha de realizar entrevista ou declaração a qualquer meio de comunicação, seja a imprensa ou outro veículo destinado à transmissão de informação para o público em geral”, escreveu.

Além de peça chave do autoritarismo judiciário na manipulação mais grotesca da história eleitoral brasileira, Fux prestou já bons serviços a Jair Bolsonaro e seu clã familiar. Suspendeu duas ações nas quais o presidente Jair Bolsonaro é réu. As duas ações foram resultado de declarações feitas em 2016 pelo então deputado direcionadas a sua colega Maria do Rosário, em que afirmava que não a estupraria porque ela não merecia. O mesmo Fux decidiu suspender a investigação envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Queiroz, empregado como motorista, movimentava milhões da família Bolsonaro e foi o pivô do primeiro escândalo de corrupção do novo governo.

Como dissemos em editorial, as revelações feitas pelo The Intercept, e que terão novos capítulos como esse de Fux, abriram uma crise de grandes proporções, que reembaralha todas as cartas da política nacional. O atual envolvimento do STF nos conluios entre Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e os procuradores da Lava Jato vai revelando o entramado golpista já de muitos anos no interior do autoritarismo judiciário, que com seus métodos reacionários busca aprovar a reforma da previdência, a agenda neoliberal de privatizações e a entrega dos recursos nacionais aos monopólios estrangeiros.

Contra essa democracia manipulada por juízes politicamente interessados, exigimos que os juízes sejam eleitos pelo povo, revogáveis a qualquer momento e recebam o mesmo salário de uma professora, abolindo suas verbas auxiliares. Para acabar com a farra de empresários e políticos corruptos, que atinge todos os partidos dominantes, todos os julgamentos por corrupção devem ser realizados por júris populares. Exigimos a imediata liberdade de Lula, sem qualquer apoio à política do PT, que abriu o caminho ao golpe. A isso, é preciso dizer claramente que não queremos uma "reforma desidratada": queremos derrubar a reforma da previdência, e exigimos o não pagamento da fraudulenta dívida pública, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial para atacar o flagelo do desemprego e da precarização na juventude, para que os capitalistas paguem pela crise.




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