Política

Imprensa internacional repercute defesa de Dilma no Senado

Os maiores veículos da imprensa imperialista noticiam nesta segunda-feira a defesa de Dilma Rousseff no processo de impeachment no Senado. O jornal britânico The Guardian publicou uma carta aberta dizendo que o impeachment "é um insulto à democracia no Brasil".

segunda-feira 29 de agosto| Edição do dia

O site da revista americana “Forbes”, que junto à Bloomberg desde 2015 são ferrenhos defensores do golpe institucional, traz uma reportagem que afirma que defender Dilma é “o trabalho mais difícil do Brasil”.

José Eduardo Cardozo e sua equipe de advogados estão empurrando uma rocha proverbial numa montanha implacável. As últimas três votações realizadas para analisar o impeachment de Dilma foram perdidas de lavada. A mais recente foi no início deste mês, quando 59 de 81 senadores disseram que depois de receber todas as informações que eles têm sobre o caso contra ela, e depois de ouvir contrapontos da defesa, sentiram que ainda tinham razão [para impedi-la]”, diz o texto.

Já a rede CNN, mais preocupada politicamente com o desenlace e os efeitos do impeachment, afirma que “o entusiasmo pós-olímpico no Brasil chegou ao fim com o julgamento de Dilma”. A reportagem do site da emissora destaca que Dilma “insistiu que não cometeu crime e disse estar orgulhosa por ter sido ‘fiel ao compromisso com a nação’”. “Não está claro se sua fala apaixonada fará algum efeito. A maré das opiniões está contra ela, e sua aparição é amplamente considerada sua última fala pública”, afirma a CNN.

Num texto com o termo "luta pelo poder no Brasil" no título, o site da revista alemã “Der Spiegel” destaca que Dilma reiterou a seus oponentes que eles estariam cometendo um golpe para tirá-la do poder. A publicação mostra que a presidente afastada afirmou que votar contra o impeachment é votar “pela democracia”.

O jornal francês "Le Monde" afirma, no título de artigo desta segunda, que a defesa de Dilma no senado é a “última etapa” antes de sua destituição, que deve acontecer terça ou quarta-feira. “Não luto pelo meu mandato, mas pela democracia, pela verdade e pela justiça”, destaca o diário do discurso de Dilma. O periódico afirma que ela é acusada de ter infringido a lei de responsabilidade fiscal e de ter maquiado as contas públicas.

"Rousseff diz que está ocorrendo um golpe de Estado no Brasil", publicou o espanhol El Pais, na mesma linha adotada pelo francês Le Monde e pelo argentino Clarín.

O New York Times, periódico mais apreensivo sobre o golpe institucional e os efeitos que terá sobre a luta de classes brasileira, narra que Dilma tenta sua última intervenção pública antes do desfecho do impeachment. “Não me conterei ao silêncio dos covardes”, cita a publicação. O NYT escreveu por vezes que o impeachment parece uma cortina de fumaça para afastar as investigações judiciais dos políticos do parlamento.

De maneira mais veemente, o jornal de centro-esquerda britânico The Guardian publicou uma carta aberta "condenando a suspensão da presidente Dilma Rousseff". "É completamente errado que alguns poucos parlamentares se coloquem sobre a vontade política expressa nas urnas por 54 milhões de brasileiros", diz a carta, cujo título é "Suspensão de Dilma Rousseff é um insulto à democracia no Brasil".

"O novo governo mostrou suas verdadeiras facetas ao criar um gabinete sem representatividade, somente com homens, lançando políticas neoliberais que ferem milhões de trabalhadores e pessoas de baixa renda. O governo interino não tem mandato para implementar estas políticas", critica o texto. A carta é assinada por mais de 15 parlamentares trabalhistas britânicos, como Richard Burgon, Ruth Cadbury, Lord Martin John O’Neill e Andrew Gwynne.

A emissora latino-americana Telesur publicou que Dilma assegurou, durante todo seu pronunciamento, que não violou a Constituição nem cometeu crimes de responsabilidade em seu governo.

Não será simples conter os efeitos do impeachment da direita, e os jornais imperialistas buscam por trás da apreensão tentar prever quais negócios os governos serão capazes de afiançar num Brasil em recessão econômica e turbulência política. Nem há que mencionar que farão isso em meio à continuidade da crise mundial, com a desaceleração e impasse estatal na China, o Brexit no Reino Unido e o estancamento europeu, e elementos profundos de crise orgânica em países centrais, como os Estados Unidos, a uma distância não muito longa de ter Donald Trump, se não como presidente, sim como voz cantante de uma raivosa direita nacional.




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