Política

RIO DE JANEIRO

Impeachment de Pezão entra no debate da ALERJ

Após o golpe institucional levado a diante contra a Presidência da República através de um impeachment a moda pode pegar no Rio, como uma possível alternativa para o PMDB se distanciar ao máximo do desgastado Governo Pezão, governo que desde o final do ano passado vem se desgastando muito, por não pagar servidores, aposentados, fechar serviços públicos e precarizar ainda mais o atendimento nos Hospitais e UPAs. A derrota que sofreram no Município por não conseguirem emplacar Pedro Paulo pode ter sido o sinal.

quinta-feira 6 de outubro| Edição do dia

Neste mês, o governo do estado novamente atrasará os salários dos servidores, exceto os ativos da educação, pela via do Fundeb. Deputados estaduais da base aliada do governo de Luiz Fernando Pezão do PMDB, junto com o presidente da Alerj Jorge Picciani, também do PMDB e aliado de Temer, hoje cogitam impeachment do político. Já foram encaminhados pedidos oficiais para tal processo e alegam “desrespeito aos gastos constitucionais obrigatórios em Educação e Saúde”, e Picciani diz que “a situação é de gravidade. Está passando da hora de tomar uma decisão”.

Para redistribuir o orçamento da União para obras como a Linha 4 do Metro, investigadas por suspeita de superfaturamento, ninguém lembrou da constituição. Para estes deputados golpistas, o impeachment seria uma oportunidade posarem de defensores da moral, e ao mesmo tempo tentar limpar um pouco a imagem do Governo do Estado que não paga os servidores, e do próprio PMDB, ao se desvencilhar de Pezão, que mal governou por motivos de saúde, tendo Dornelles sido o interino a maior parte do tempo.

Para tal manobra, confiam na existência de amnésia coletiva sobre os atos de calamidade Pública de Dornelles (vice de Pezão, do PP) que, apoiado por toda a ALERJ, garantiram os empréstimos necessários para a finalização das obras relacionadas às Olimpíadas, contingenciando os gastos de setores essenciais como Saúde e Educação, tudo com a benção do governo golpista de Michel Temer que ainda renegociou a dívida pública do estado permitindo novos empréstimos.

A crise econômica que atinge também o Rio de Janeiro foi uma das justificativas para o corte de R$ 15,3 bilhões no orçamento do estado. Porém, só de 2008 até 2013, os governos do PMDB no Estado do Rio concederam 138 bilhões de isenções fiscais para empresas, ou seja, abriram mão de arrecadar impostos.

O que também chama a atenção é que, caso ocorra o processo e ele seja aprovado por um punhado de deputados, irão retirar o Governador que foi eleito com menos votos do que a soma de nulos, brancos e abstenções e assume o vice Francisco Dornelles. Caso o impeachment ocorra em 2017, a escolha seria por eleição indireta. E quem seria o mais indicado para o cargo dentre os mandantes? Picciani. E a decisão estaria na mão, mais uma vez, do sistema judiciário, que cada vez mais ganha poder de arbitrar como bem entende por cima da vontade popular.

A especulação que tem ganhado espaço na mídia do Rio ainda está longe de mostrar grande força porém começa a mostrar uma fissura interna no PMDB carioca derrotado eleitoralmente. A máquina de votos e cargos precisa de votos e cargos para manter-se unida e pela primeira vez desde o ex-governador Cabral começa a ocorrer uma separação entre a ALERJ e o governo. A crise que passa o estado do Rio com seus contornos políticos, econômicos e sociais promete ganhar novos contornos na política até mesmo no Palácio Tiradentes.




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