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Impactos dos cortes do orçamento e da PEC 241/55 na UFABC

sexta-feira 18 de novembro| Edição do dia

A crise política e econômica não afetou somente as grandes montadoras e o funcionalismo público no ABC paulista, mas também uma das universidades públicas mais importantes da região, já que a verba de custeio e manutenção da UFABC prevista para 2017 será a menor desde 2009. Com a possibilidade de aprovação da PEC 55 (antiga 241) que viemos denunciando aqui no Esquerda Diário, no dia 13 de dezembro, o cenário é ainda mais alarmante.

Dentre os impactos dos cortes na UFABC estão o aumento da demissão dos trabalhadores terceirizados, que atualmente ocupam os cargos de limpeza e conservação, mas também estão na zeladoria, como auxiliares de serviços gerais, mensageiros, copeiragem, manutenção, segurança recepção, motoristas, jardinagem, cumprindo o papel fundamental de dar condições para o desenvolvimento do conhecimento cientifico, do ensino de qualidade e da pesquisa na universidade. O setor de segurança patrimonial se enfrentou diretamente com a supervisão pelo fim do assédio moral a um trabalhador, realizando uma paralisação, sendo exemplo para os demais trabalhadores.

A UFABC possui mais de 13, 5 mil estudantes de graduação e 1212 de pós-graduação contabilizando Santo André e São Bernardo. Com os cortes, o fretado que possibilita o deslocamento diário destes estudantes também corre o risco de ser extinto. A elaboração do estatuto para formação da Associação de Pós-graduação ocorre neste contexto político e com este sentimento de necessidade de organização, para que nos preparemos para um possível futuro sem bolsas e auxílios e que a qualificação tão exigida pelo mercado, passe a ser um sonho alcançável a uma parcela ainda menor da sociedade.

Além disso, esta universidade que aplica uma grade de disciplinas de diferentes áreas (interdisciplinaridade), para obter um ensino sob diferentes perspectivas pode ter que se deparar com desligamento de energia durante a madrugada, inviabilizando a realização de experimentos. Além da redução de bolsas estudantis de graduação e pós-graduação, que já vem ocorrendo, no sentido de precarizar o ensino de uma universidade que conta com uma das melhores estruturas do país, abrindo as portas para os investimentos e parcerias público-privadas e para que os estudantes trabalhadores tenham dificuldades em concluir os estudos. Na Fundação Santo André que é uma universidade pública de direito privado, os estudantes organizaram o conselho de representantes (CRCs) e vem discutindo acerca das mensalidades que aumentam todos os anos, reivindicando o carácter público da universidade, se colocando contrários ao aumento de mensalidades e expressando uma posição favorável a luta para que todos os inadimplentes da universidade possam se rematricular e seguir seus estudos.

Neste contexto político, perseguições na UFABC como a da doutoria Iseli Lourenço Nantes foram denunciadas, com o objetivo de não expulsar estudante criando precedentes para novas punições. E com isso também se criar condições para que as questões de gêneros LGBT sigam sendo debatidas na Universidade Federal do ABC, fortalecendo a resistência dos setores oprimidos. Além da batalha contra o autoritarismo, a falta de diálogo e o plano de sucateamento de uma universidade criada em um local de grande importância histórica para os trabalhadores, cujo rechaço ao petismo fora diagnosticado e comprovado nas urnas em 2016, sendo que o PT no poder abriu espaço para esta direita golpista de Temer e os tucanos, que hoje busca implementar seus planos de ataques contra os trabalhadores e a população.

É necessário se organizar e coordenar as lutas em curso, prestando solidariedade às ocupações estudantis somando-se às ocupações estudantis como a EE Diadema, no ABC. E se solidarizar ao movimento de conjunto de ocupação de escolas e universidades que vem ocorrendo país a fora como uma forma de resistência aos ataques do governo golpista aos trabalhadores e à juventude, tais como os que estão previstos na UFABC.




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