Sociedade

FLORIANÓPOLIS

Ilha da Magia para os ricos, exploração para os pobres

Florianópolis esbanja umas das paisagens naturais mais belas do país, atraindo turistas do Brasil e do mundo inteiro no verão. Mas e como é a vida de quem mora aqui?

terça-feira 14 de fevereiro de 2017| Edição do dia

O calor escaldante têm significados diferentes para os que estão curtindo na praia e para aqueles que precisam seguir a rotina, e não tem lugar melhor que o transporte coletivo lotado para entender um pouco mais sobre como é a vida de quem não pode parar de trabalhar.

Depois de esperar mais de uma hora pelo primeiro dos três ônibus - que já vem lotado, eu e mais várias pessoas entramos, pagamos uma tarifa de R$ 4 (que não representa a péssima qualidade do transporte) e achamos um buraco para se encaixar. Durante a longa travessia que o ônibus percorre, consigo ouvir várias histórias de vida, de pessoas cansadas e sem perspectiva, que enquanto vão até o próximo ponto compartilham seus relatos com os outros. Numa dessas, ouvi uma senhora que depois de desabafar o medo de reintegração de posse no local onde mora - onde não existe saneamento básico, contou para a outra que sua filha, talvez uma adolescente, tinha ido à praia pela primeira vez, com suas amigas. Essa mulher repassava a descrição que a sua filha fez como se estivesse há milhares de quilômetros da areia, quando bastava olhar pela janela do ônibus e ver o mar. No final, antes de uma delas descer, falou: "Nasci aqui, vivo há 50 anos nesse lugar e nunca consegui pisar na praia, minha necessidade é trabalhar".

Depois dessa frase ecoar o dia todo na minha cabeça fica mais claro ainda o que acontece aqui. A Ilha da Magia não é para nós, mas sim para os empresários, estrangeiros que nos lugares onde moram exploraram muitas pessoas para estarem aqui. E para quem é daqui, sobram as cozinhas de restaurante, os almoxarifados, os call centers... Afinal, como colônia até hoje, precisamos deixar a casa bonita para os europeus fazerem a festa.




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