Igreja chilena publica (e retira) documento que tratava sobre casos de abuso sexual

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

terça-feira 2 de outubro| Edição do dia

Assinado pelo arcebispo de Santiago, Ricardo Ezzati, o documento de título “Orientações que Fomentam o Bom Tratamento e a Convivência Pastoral Saudável” foi publicado - e retirado horas depois - numa tentativa de conter os abusos sexuais feitos pelo clero chileno.

A proposta de texto preliminar, que deveria ter versão definitiva em abril de 2019, é publicada e retirada quando o Vaticano e o Ministério Público se veem obrigados a investigar os casos de abuso sexual exercidos pelo clero chileno, numa demonstração de crise profunda. São 126 casos abertos de abuso sexual de menores cometidos por religiosos da Igreja.

A orientação voltada aos sacerdotes tinha a intenção de orientar os “carinhos” exercidos pelos membros da Igreja, como se abuso sexual não fosse crime. O documento proibia de dar "abraços muito apertados”, "palmadas nas nádegas, tocar a área dos genitais ou o peito", "fazer massagens", "beijar na boca" ou "deitar ou dormir com meninas, meninos ou adolescentes".

Ricardo Ezzati, arcebispo de Santiago, foi acusado de encobrir os abusos, e foi quem redigiu esse material que não fala em parte alguma de abuso sexual, e sim de "sinais errados" ou "fatos dolorosos". Isso se escancara ainda mais no capítulo que se refere às "demonstrações de afeto”, que proíbe sacerdotes de “abraçarem por trás” “lutar ou fazer brincadeiras que impliquem tocar de maneira inapropriada” e “qualquer expressão de afeto que o menino, a menina, adolescente e pessoas vulneráveis não aceitem e rejeitem”, além de recomenda “utilizar o tato somente conforme for adequado e permitido pela cultura local”. Em outra seção, o documento diz que existem "comportamentos que podem ser mal interpretados e que, portanto, devem ser evitados".

Em comunicado, o arcebispado disse que retirou de circulação para corrigir “certos conteúdos que foram traduzidos literalmente e que não são adequados ou que se prestam a interpretações incorretas”.

O Papa se viu obrigado a abrir investigações, mesmo depois de questionar a veracidade das acusações das vítimas.

Por isso tudo, não podemos ignorar os mais de 1000 casos de abuso sexual feitos por 300 padres encobertos pela Igreja nos EUA, a endemia que assola a Irlanda, que além dos casos de abuso também envolve cativeiro e fome. Essa é a imundície que escancara o caráter moral dessa instituição alimentada pelos governos e empresários.




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