Sociedade

AGRESSÃO RACISTA

Idosa e criança sofrem ataque com bomba de apoiadores de Bolsonaro

Na manhã desta quinta, 3, uma idosa e seu neto foram agredidos com uma bomba de efeito moral enquanto esperavam ônibus em Vinhedo. O ataque foi feito por homens que disseram ser “um presente de Bolsonaro”, o caso foi denunciado como racismo pela família e é mais um dos diversos ataques vindo pelos apoiadores do novo presidente.

sexta-feira 4 de janeiro| Edição do dia

Com apenas três dias de governo de Bolsonaro, um novo ataque de ódio foi registrado, desta vez com uma bomba de efeito moral contra uma idosa de 62 anos e seu neto de apenas 7. A avó e a criança estavam em um ponto de ônibus na cidade de Vinhedo, na região metropolitana de Campinas, quando viram se aproximar um carro com três homens em baixa velocidade. Segundo o relato da senhora, do carro um dos homens gritou “Aí dona, presente do Bolsonaro”, enquanto acendia e arremessava a bomba contra os dois. A filha da idosa e mãe do garoto denunciou o caso em seu perfil do Facebook como um ato racista, inclusive com relato de outras situações em que o filho foi discriminado.

Ainda em meio ao processo eleitoral uma onda de ataques feitos por apoiadores de Bolsonaro levou a assassinatos e agressões de ódio contra negros, LGBTs, mulheres e militantes de esquerda. Entre as vítimas fatais destes ataques bolsonaristas estão o mestre capoeirista baiano Moa do Katendê, a travesti paulista Laysa e o jovem militante também nordestino Charlione.

Estes ataques foram estimulados pelo discurso de ódio de Bolsonaro feito contra os setores oprimidos, os ativistas políticos e os trabalhadores, assim como encontram respaldo em suas promessas políticas. Um exemplo é o reacionário projeto Escola Sem Partido, que quer retirar a discussão de gênero e sexualidade num país recordista de violência contra mulheres e LGBTs, além de amordaçar os professores e estudantes que podem ser a vanguarda da resistência e combate ao novo governo, fruto do golpe institucional e eleito nas eleições mais manipuladas da história recente do país pelo judiciário que teve como recompensa a localização de Moro como um dos superministros do Congresso.

As primeiras medidas de Bolsonaro e sua equipe após 3 dias de posse revelam também as bases materiais destes atos de ódio, pois foram contra os trabalhadores ao reduzir o aumento do salário mínimo e seguir buscando vias de impor a Reforma da Previdência, além de ser contra as pessoas LGBTs ao retirá-las das diretrizes de Direitos Humanos e indicar para este ministério a pastora evangélica Damares Alves, que destila boçalidade e preconceitos contra os setores oprimidos, também ataca os indígenas e quilombolas ao entregar a decisão sobre suas terras nas mãos da bancada ruralista que os persegue e assassina.

É repudiável cada ato de ódio bolsonarista, e para combatê-los os jovens, negros, LGBTs, mulheres e comunidades indígenas deverão se aliar aos trabalhadores, com seus próprios métodos de luta, enfrentando a paralisia das direções sindicais e dos grandes movimentos, assim como a fracassada e traidora tentativa dos que, como o PT, querem deixar Bolsonaro agir enquanto esperam a próxima eleição de 2022.




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