Política

MÁSCARAS

Ibaneis prenderá quem não usar máscaras, mas não forneceu nenhuma à população

Na semana passada, o governador do DF, Ibaneis Rocha publicou decreto determinando a obrigatoriedade de uso de máscaras em todos os espaços públicos de Brasília. Segundo o texto, a medida passa a valer a partir da próxima quinta-feira e prevê multas e até prisões em caso de descumprimento.

quarta-feira 29 de abril| Edição do dia

Apesar da exigência, até o momento o governo do Distrito Federal não tomou nenhuma providência para fornecer esses equipamentos para os trabalhadores, que têm passado por um momento de forte desemprego enquanto a escassez de máscaras gera um aumento no seu valor. Na verdade, as únicas iniciativas promovidas por Ibaneis se restringem ao público das áreas nobres da cidade, desde a oferta de testes para aqueles que possuem carros em postos no Plano Piloto até a abertura de clubes na orla do Lago Paranoá.

Por outro lado, a única solução em Brasília para os pobres é jogá-los dentro da prisão. Desse modo, o pretexto de combate à pandemia serve para trancafiar os desempregados na penitenciária com maior número de casos confirmados de COVID-19 de todo o Brasil, o Complexo da Papuda. Essa posição sombria no ranking não é à toa: em prédios com capacidade apertada para 4.500 detentos está com uma superlotação de 12.100 pessoas, quase o triplo da capacidade total.

É por isso que o verdadeiro plano de Ibaneis não é salvar a população, mas sim deixar os trabalhadores para morrerem em celas abarrotadas de corpos para garantir a tranquilidade na Esplanada. Diante desse verdadeiro plano de assassinato em massa, não há máscaras ou qualquer equipamento que consiga manter a saúde íntegra de seres humanos mantidos em um lugar escuro, sujo e úmido, conforme a proposta de “reforçar a distribuição de materiais para higiene individual e coletiva” aos presos, feita por um dos membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF, deputado Fábio Felix (PSOL).

De fato, o remédio para quem está fora e não pode comprar máscaras passa longe da prisão, conforme prevê o decreto de Ibaneis. E para quem está dentro a cura cabe na palma da mão: a chave para abrir as portas da cadeia. Considerando que a imensa maioria da população carcerária está lá por crimes ligado às drogas e contra o patrimônio, nada melhor para combater a pandemia que libertá-los em uma sociedade que ultrapasse os limites da propriedade privada que os encarcerou e torne a fabricação de testes, máscaras e respiradores seu sustento, sob o controle de toda a classe operária.




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