ISRAEL- PALESTINA

Em 29 de novembro de 1947 a Assembléia Geral da ONU aprovou a resolução 181 para a divisão da Palestina em dois Estados, outorgando 56% de território aos Sionistas. Uma comissão especial havia tomado 9 meses para “estudar a situação” depois da retirada dos britânicos. Entre os que votaram a favor da revolução estavam Estados Unidos e União Soviética.

Josefina L. Martínez

Madrid | @josefinamar14

quarta-feira 30 de novembro| Edição do dia

Foto: CISJORDANIA, 28/11/2016 – Vários palestinos exibem fotos de seus familiares durante uma manifestação em exigência que Israel entregue os corpos dos palestinos assassinados. EFE/Abed Al Hashlamoun.

Em fevereiro de 1947, os britânicos anunciaram sua intenção de se retirar da Palestina (onde haviam imposto um mandato colonial desde 1918) para deixar nas mãos da ONU a resolução de seu futuro. Desde a década de 20, com o aval dos imperialistas britânicos, havia aumentado a entrada de colonos israelenses na Palestina. O movimento sionista promovia a colonização e proclamava a necessidade de um Estado judeu em território palestino. Em 1917, Lord Balfour havia prometido ao movimento sionista a criação de um “lugar nacional para os judeus na Palestina”.

Em 1937 os britânicos lançam pela primeira vez a ideia da “partilha” da Palestina entre os habitantes nativos palestinos e os colonos Israelenses.

Bem Gurion, o dirigente do movimento sionista desde meados da década de 1920 até os anos 60, havia reclamado em 1942 a totalidade do território da Palestina para a fundação do novo Estado.

A resolução reacionária das Nações Unidas

A resolução 181 das Nações Unidas marca um ponto de inflexão na história do povo palestino.

Em dezembro de 1947 os palestinos constituíam a ampla maioria da população: dois terços do total. Somente um terço eram colonos judeus, porém, a maioria havia chegado depois de 1920, sob proteção britânica. Do total de terra cultivada, a maior parte pertencia à população nativa e somente cerca de 5,8% estava em mãos de colonos judeus. A maioria dos judeus havia se assentado na cidade e haviam colônias judias ilhadas no campo.

Porém, apesar de tudo isso, a ONU assumiu o ponto de vista dos sionistas e lhes entregou mais da metade do território palestino para a constituição de seu novo Estado. Sem considerar minimamente os interesses da população palestina, que se opunha à divisão e efetuando uma distribuição completamente desigual dos territórios em favor das forças de ocupação.

O historiador palestino Waled Khalidi se refere ao conteúdo colonial da resolução da ONU: “ A população nativa da Palestina, como a população nativa de qualquer outro país do mundo Árabe, Ásia, África, América e Europa, se negava a dividir a terra com uma comunidade colonizadora.” A resolução das nações unidas “legaliza” esta ocupação passando um verniz “democrático” em uma ocupação sangrenta e ilegal.

O historiador israelense Ilan Pappé afirma também , que a resolução entregava a maior parte da terra fértil, quase todo o espaço urbano e rural aos judeus, que incluía mais de 400 aldeias palestinas. Entregaram mais da metade do território palestino a um movimento completamente reacionário, que anunciava publicamente sua intenção de “pacificar” a Palestina.

Os sionistas aceitaram a resolução 181, festejaram o reconhecimento internacional para seu projeto imperialista e utilizaram a resolução para conquistar seus objetivos originais, que era de apropriar-se da maior parte do território palestino. Em apenas um ano mais tarde haviam conseguido ocupar 80% do território, depois de expulsar mais de 800.000 palestinos .

Em 14 de maio de 1948, o líder sionista Bem Gurion declara a independência do Estado de Israel, um dia antes da expiração do mandato britânico sobre a Palestina. Para o povo palestino, o 15 de maio representa o início da Nakba (catástrofe), o êxodo massivo imposto pelas forças armadas israelenses, a destruição de centenas de aldeias e o massacre de milhares de palestinos. O começo de uma ocupação colonial que continua até os dias de hoje.

Em um ano, entre fins de 1947 e 1948, 531 aldeias e onze bairros urbanos foram ocupados, e seus habitantes destruídos e expulsos. Ao finalizar o ano de 1948, 85% dos palestinos que viviam na zona ocupada pelo Estado de Israel se converteram em refugiados. Segundo dados publicados pelo BADIL ( Centro de Documentação para os Direitos de Residência e dos Refugiados), existiam em 2007 cerca de 7 milhões de refugiados palestinos em todo o mundo.

Desde então o Estado de Israel não tem feito mais que avançar sobre o território do povo palestino, a quem foi negado o direito a seu próprio Estado, transformando a Faixa de Gaza e a Cisjordânia em cárceres ao ar livre, sobre a perseguição permanente das forças de ocupação, que tem gerado torturas, perseguições e assassinatos massivos.

Neste 29 de novembro o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que são necessárias “ações urgentes” para retomar a solução de “dois Estados” para resolver o conflito palestino. O secretário geral da ONU sustentou que “os líderes israelenses e palestinos ainda apoiam a solução de dois Estados para resolver o conflito, segundo um comunicado da secretaria da organização em Genebra”.

Sem embargo, o sofrimento imensurável do povo palestino desde a aprovação da resolução 181 são uma demonstração trágica de que a proposta de “dois Estados” tem sido desde o começo completamente funcional ao avanço dos sionistas. A 69 anos da reacionária resolução da ONU se confirma que não poderá conquistar-se um Estado próprio, laico e não racista, sobre a totalidade do território palestino, sem a destruição do Estado sionista de Israel e a expulsão do imperialismo na perspectiva de uma palestina operária e socialista.

Tradução: Zuca Falcão.




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