Sociedade

INTERNET EM PERIGO: Entenda como o fim da neutralidade da rede pode nos prejudicar

Decisão da agência americana reguladora das telecomunicações pode pôr fim à internet como conhecemos hoje. A decisão agora está para ser discutida no congresso e irá permitir às operadoras o controle arbitrário da navegação dos usuários. Entenda o que é a “neutralidade da rede” e porque precisamos defendê-la.

Bruno Portela

São Paulo

quarta-feira 3 de janeiro| Edição do dia

Foto: Reprodução/Redes sociais

A internet é uma rede mundial que interliga outras milhões de redes, computadores e dispositivos de diversos tipos que compartilham, enviam e armazenam dados entre si de maneira rápida, descentralizada e numa escala jamais vista antes. É de fundamental importância em diversos aspectos de nossa vida, tanto pessoal quanto em sociedade, inclusive em aspectos políticos, pois sua forma organizacional permite um espaço mais democrático e livre para a comunicação, expressão e transmissão de conhecimento do que qualquer outro. Essa liberdade é garantida principalmente pelo que chamamos de “neutralidade da rede”.

A neutralidade da rede é um princípio de isonomia que garante que as provedoras que fornecem a internet precisam tratar da mesma forma todo o tráfego de todos os tipos de dados em todos os sites da web para todos os usuários, como serviços de streaming, voip, vídeos, redes sociais, sites de notícia etc, sem nenhuma distinção. Ou seja, o fim dessa neutralidade faz com que as empresas tenham o controle sobre o que o usuário pode ou não ter acesso, e também a velocidade com que o usuário vai ter esse acesso, favorecendo sobretudo, como tudo no capitalismo, as grandes empresas que são monopólios das telecomunicações e da tecnologia e privilegiando os mais ricos.

E é justamente isso que está sendo discutido nos EUA: em 14 de dezembro de 2017 a agência americana que regula as telecomunicações (FCC) votou o fim do princípio de neutralidade da rede, agora o congresso americano tem dois meses para avaliar essa decisão. Entre os maiores entusiastas desse retrocesso está Ajit Pai, nomeado pelo próprio reacionário Trump para ser o atual presidente dessa comissão, “por coincidência” ele é ligado à Verizon, uma das maiores operadoras de internet do país, evidenciando o grande lobby que está por trás dessa decisão. Segundo Ajit Pai e os republicanos o fim da neutralidade vai garantir liberdade aos usuários na internet e uma suposta “gestão inteligente” do tráfego de dados, mas essas mentiras caem por terra quando até mesmo grandes empresas, como a Netflix por exemplo, se mostram contrárias a essa decisão, pois ela vai gerar uma grande concentração do mercado, que consequentemente, irá intensificar o monopólio das grandes operadoras como a AT&T, a Verizon e a Comcast, limitando até mesmo as novas empresas da área de tecnologia.

E por se tratar de um país referência em tecnologia e telecomunicação e também por ser um país imperialista, ao aderir esse novo método de controlar os canais de tráfego de dados os EUA podem influenciar diversos países a seguirem esse modelo, como é o caso do Brasil, onde as gigantes empresas de telecomunicação já estão se organizando para pressionar os políticos burgueses e o governo golpista do Temer para mudar a atual legislação vigente, o Marco Civil da Internet.

Para garantir essa mudança a internet deixará de ser tratada como um “serviço essencial”, como um direito, para se tornar um “um serviço não-essencial de informação”. É urgente que nos organizemos para defender essa importante ferramenta contra essa mudança que é um verdadeiro retrocesso nas liberdades democráticas. Se esse ataque for implementado será o fim da internet como conhecemos, inclusive o próprio Esquerda Diário estará ameaçado, assim como os outros portais e mídias independentes. É preciso uma internet livre que esteja a serviço das necessidades da população e não das grandes empresas. Defendemos uma internet cada vez mais acessível, colaborativa, gratuita e de qualidade para todos.




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