Internacional

8 DE MARÇO

II Encontro plurinacional dxs que lutam: “Não aceitamos nenhuma constituinte com Piñera no governo e enquanto houver impunidade”

Chile: Quase duas mil mulheres se encontraram, resolvendo impulsionar uma grande greve geral para esse dia e rechaçar a convenção constituinte que o governo Piñera está propondo ao lado da oposição.

quarta-feira 15 de janeiro| Edição do dia

Ontem se concluiu o II Encontro plurinacional dxs que lutam, em preparação para o próximo dia 8 de março, dia internacional das mulheres. Quase duas mil mulheres se encontraram, resolvendo impulsionar uma grande greve geral para esse dia e rechaçar a convenção constituinte que o governo Piñera está propondo ao lado da oposição.

A rebelião popular que milhões de pessoas protagonizaram no Chile marcou um antes e um depois para o conjunto das mulheres, trabalhadores e jovens. Se viu a potencia para lutar pelas demandas reivindicadas há anos e sacudir as ruas. Esse poder foi expresso no II Encontro plurinacional dxs que lutam, realizado na sexta, sábado e domingo em Usach, onde cerca de duas mil mulheres fizeram parte.

O movimento de mulheres foi parte ativa da revolta que eclodiu desde 18 de outubro, sabendo que a precarização do trabalho, a falta de acesso à educação e as aposentadorias de fome têm rosto de mulher. Durante a jornada, cada uma dessas demandas era compartilhada, como aborto legal, seguro e gratuito; o fim das AFPs (Administradoras privadas de fundos de pensão no Chile); educação gratuita, laica e não sexista; a separação efetiva da Igreja e do Estado; e pelos direitos trabalhistas, como salário igual a trabalho igual; o fim do subcontrato e qualquer forma de contrato instável; redução da jornada de trabalho e salário mínimo de 500 mil pesos, entre outras.

Também foi destacada a denúncia da repressão e criminalização com que o governo Piñera respondeu à mobilização nas ruas. A que hoje tem feridos, mutilados e mais de dois mil presos políticos, juntamente com queixas e processos da Lei de Segurança Interna do Estado contra aqueles que se mobilizaram. Foi concluído um chamado unificado do Encontro para dizer "não+impunidade", "nenhuma perseguição política", "liberdade a todos os presos por lutar" e "julgamento e punição dos responsáveis por violações de direitos humanos".

Para Emilia Villalobos, estudante do ensino médio e porta-voz do grupo Vencer: “Os jovens que pularam as catracas, em solidariedade com nossos pais e avós que vivem precariamente, abrimos uma importante luta contra esses 30 anos de herança pinochetista, questionando a educação de mercado, autoritária e sexista. Somos os que não têm mais medo e enfrentamos com mobilização o PSU (vestibular chileno) por ser segregador e um claro filtro de classe. E qual é a resposta desse governo assassino? Criminalização, perseguição pela Lei de Segurança Interna do Estado, como o caso dos porta-vozes da ACES (Asembleia Coordenadora de Estudantes Secundaristas do Chile) e dos 32 companheiros estudantes perseguidos por dizer "não + PSU". É por isso que devemos continuar a organizar e mobilizar, contra a repressão e pela liberdade imediata de nossos companheiros, e que os verdadeiros criminosos do governo paguem. Por isso, a partir da reunião, decidimos nos juntar às mobilizações dos dias 27 e 28 de janeiro contra a PSU, apoiando os secundaristas ”.

Preparemos uma grande greve geral para este 8 de março

Hoje há força para lutar por essas demandas, com as mulheres na vanguarda e em conjunto com os trabalhadores e a juventude. Essa é a perspectiva para o dia internacional da mulher, onde com uma grande mobilização se lute nas ruas pelos direitos das mulheres. Resolvendo preparar desde já uma greve geral efetiva no 8 de março, com uma greve produtiva e reprodutiva para lutar por esse programa, onde se volte a dizer fortemente que "Fora, Piñera!".

Nesse sentido, Joseffe Cáceres, trabalhadora do asseio, líder sindical e porta-voz nacional do Pão e Rosas, nos dize: “Hoje, temos um grande desafio, impor nas ruas a greve geral, uma greve em que as mulheres trabalhadoras sejam protagonistas, uma grande greve reprodutiva e produtiva onde, aliados a nossos parceiros e a uventude, digamos alto e claro "Fora, Piñera!". Para isso, não apenas é necessária nossa enorme força empregada nas ruas, mas também que das organizações sindicais, como a CUT, o Colégio de Professores, a ANEF e outras organizações sindicais, a greve seja convocada e organizada a partir das bases. Se o 8M se tornar uma grande greve geral, podemos conquistar nossas demandas e também lançar um plano de luta que visa conquistar uma verdadeira assembléia constituinte livre e soberana.”

Não à convenção constituinte: nenhum acordo com o governo criminoso de Piñera

Quanto à convenção constitucional, proposta para começar com um plebiscito em abril, orquestrada pela direita e pela antiga Nova Maioria; também aprovado por setores da Frente Ampla e junto com o silêncio cúmplice do Partido Comunista; também foi discutido longamente durante o Encontro. Tendo uma rejeição transversal a esse processo e ao "Acordo de paz", assinado na impunidade de um governo responsável por assassinatos e torturas. Nesse sentido, o Encontro decidiu que nenhum processo constitucional pode ser sustentado, mantendo a impunidade e Piñera no governo.

Beatriz Bravo, operadora de correios da planta CTP Correos do Chile e dirigente do Partido Revolucionário dos Trabalhadores, diz: “Este encontro afirmou a necessidade de sair claramente para posicionar-se contra a convenção constitucional e o plebiscito imposto pelo Governo de Piñera. Um processo que vem do mesmo governo que tirou a vida de trabalhadores como Mauricio Fredes, que deixou dezenas de combatentes sociais no Chile mutilados e com perda de visão, como é o caso de Fabiola Campillay, operária da Carozzi. Esse processo de engano constitucional procura destruir o potencial de nossa força, buscando que ele seja desviado para uma convenção que busca decidir sobre todos nós sob medida e veto dos interesses de empresários e partidos corruptos de direita e ex Nova maioria, a mesma que há anos recusou nossas demandas.”

A partir deste emocionante e poderoso encontro de mulheres, o chamada é claro. Promover, com a força do movimento de mulheres, uma greve geral produtiva e reprodutiva. Onde mulheres, jovens, trabalhadores e moradores encham as ruas, com mobilizações territoriais durante o domingo, 8 de março. E impulsionando na segunda-feira, dia 9, uma grande greve produtiva e reprodutiva, com marchas massivas da praça principal de cada cidade, em todo o país.

Com essa força se alcançará o caminho de um plano de mobilização para conquistar as demandas nas ruas. Rejeitando a convenção constitucional fraudulenta imposta pelo governo e lutando pela saída de Piñera, impulsionando em seu lugar uma assembléia constituinte que seja livre e soberana para poder realmente decidir.




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