Gênero e sexualidade

II Ato contra a Cura Gay também denunciará o capitalismo

Em reunião realizada ontem, dia 26/09, várias organizações que estão convocando o II Ato contra a Cura Gay se reuniram no CEPUSP para discutirem os preparativos. Foi debatido uma faixa unificada de abertura, o trajeto, a segurança e o formato, além de um balanço político do primeiro ato que reuniu mais de 15.000 pessoas em São Paulo.

quarta-feira 27 de setembro| Edição do dia

Na reunião estiveram presentes o Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT, impulsionador do Esquerda Diário), o Coletivo LGBT Comunista, o Grupo de Mulheres Pão e Rosas, a Juventude Faísca, os Coletivos internos do PSOL (Vamos à Luta, Comunismo e Liberdade, MAIS, RUA e Juntos LGBT), o PSTU, a Marcha Mundial das Mulheres, a União da Juventude Socialista, as Secretaria LGBT estadual e municipal do PT, Coletivo Ação Antifascista, Movimento Terra Livre, Levante Popular da Juventude, Coletivo Arouchianas, Sindicato dos Metroviários de São Paulo, DCE da USP, Setorial LGBT da CSP Conlutas e Sindicato dos Trabalhadores da USP.

Foi feita uma avaliação política do primeiro ato em que todas as organizações partiram de reivindicá-lo apontando ao mesmo tempo a espontaneidade da revolta que atingiu a amplos e setores da sociedade, como a importante inciativa deste Portal de Esquerda em divulgar amplamente esse ataque e aglutinar essa revolta em torno de um evento no Facebook que somou e unificou todas as demais iniciativas das organizações de esquerda e do movimento LGBT. Também se debateu de como a polícia tentou reprimir diversas vezes o nosso ato, como um reflexo do papel que a polícia cumpre nos assassinatos de pessoas LGBT, em especial negras, e de que todos se manifestavam em repúdio a esta instituição e toda a repressão promovida pelo Estado.

Adriano Brant Favarin, Diretor da Secretaria LGBT do SINTUSP reforçou que conjuntura reacionária contra as demandas das mulheres, negros e LGBTs teve seu início marcado pela aprovação da reforma trabalhista e pela manutenção do governo Temer no poder, que só foi possível devido a traição das maiores centrais sindicais do país em relação a construção da greve geral marcada para o dia 30 de junho. Mas que a indignação estava latente na classe trabalhadora e na Juventude que ecoava no ato gritos de Fora Temer e contra as reformas.

Após o balanço positivo do primeiro ato, definiu-se uma reunião de preparação do ato no próprio MASP as 15 horas para a realização da faixa de abertura do ato, "Abaixo a ’Cura Gay’ e as reformas de Temer. O capitalismo é que é doente!", junto com a conformação de comissão de segurança, o conteúdo dos jograis e demais preparativos.

Virgínia Guitzel, militante travesti, e parte do grupo de Mulheres Pão e Rosas disse ao Esquerda Diário:

"O mais importante dessa reunião foi, apesar de muitas diferenças que temos, conseguirmos um consenso em expressar um claro conteúdo anticapitalista. Porque estamos vendo aqui no Brasil um ataque aos LGBTs com a proposta da Cura Gay, mas também o ataque a juventude pobre e negra com a tentativa de diminuição da menoridade penal, às mulheres com a tentativa de proibição de aborto mesmo em casos de estupro, na questão da demarcação de terras indígenas, no ataque sem precedentes aos trabalhadores com a reforma trabalhista e previdenciária. Mas também estamos vendo na Europa os milhares de imigrantes mortos pelas bombas das guerras imperialista ou afogados no Mar do Mediterrâneo, na Chechênia os LGBTs serem mandados para campos de concentração... Enfim, o capitalismo não dá mais. É ele quem é doente, e sabemos que não há cura para ele. Precisamos de um movimento LGBT que se ligue aos trabalhadores então para poder dar um fim a este sistema de opressão e exploração".

Com essa faixa de abertura e concentração no MASP, as 17h o ato pretende encerrar novamente seu trajeto no Largo do Arouche, símbolo de resistência paulistana das LGBTs e que está sob ameaça de ações higienistas, racistas e LGBTfóbicas do Prefeito João Dória que quer transformar aquele espaço em um Boulevard que só servirá de usufruto para aquele 5% dos brasileiros que possuem renda igual a dos demais 95%, conforme denunciado aqui.

TODOS AO II ATO CONTRA A "CURA GAY"
LGBT NÃO É DOENTE!
DOENTE É O CAPITALISMO!




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