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COREIA DO SUL

Hyundai paralisada pela maior greve em 12 anos

É a primeira greve geral da fábrica em 12 anos. A ação dos trabalhadores de Hyundai Motor na Coreia do Sul obrigou a interrupção da linha de produção da maior fabricante de automóveis do país asiático

quarta-feira 28 de setembro| Edição do dia

Os trabalhadores de Hyundai Motor na Coréia do Sul começaram esta segunda feira uma greve geral, a primeira deste tipo desde 2004, que obrigou a parar a linha de produção da maior fabricante de automóveis do país asiático.

"Se a empresa não quer que avancemos juntos, vamos lhe mostrar quais são as consequências de suas ações"

Assim se expressava o sindicato da empresa em um comunicado oficial divulgado esta segunda.

A atividade nas fábricas de Hyundai na Coreia do Sul foi interrompida às 6:45 (21:45 GMT do domingo) devido à greve convocada pelos representantes dos trabalhadores depois de rechaçarem a última proposta de melhoria de suas condições emitidas pela direção da companhia.

Hyundai Motor os havia oferecido um aumento salarial de 58 mil wones (46,7 euros/ 52,5 dólares) ao mês, uma bonificação extra de 3,3 milhões de wones (2.660 euros/ 2.980 dólares) e retirar a proposta de um teto salarial que havia sido duramente criticada pelo sindicato.

Os 50.000 membros do sindicato – que reúne uma ampla maioria dos aproximadamente 65.000 empregados de Hyundai – rechaçaram a oferta com 78,05 por cento dos votos, a considerando insuficiente.

Nos últimos meses ambas as partes se sentaram para negociar, em até agora 26 ocasiões e foram produzidas um total de 19 paralisações parciais este ano, que, segundo a empresa, resultaram em 101.400 carros fabricados a menos e perdas de 2,23 bilhões de wones (1,79 milhões de euros/ 2,02 milhões de dólares).

O sindicato da empresa automobilística assegurou que ao longo desta semana continuarão as paralisações de seis horas ao dia, com exceção das jornadas em que já houve negociação com a patronal.

Transnacionalização e ataque aos trabalhadores

O impacto da crise econômica internacional é o argumento dos empresários para eliminar conquistas dos trabalhadores e transferir suas plantas para outros países com benefícios fiscais e mão de obra barata. O ministro do comércio da Coréia pediu prudência aos sindicatos frente à queda do consumo interno, mas não fez nenhum alerta aos empresários que buscam cortar os custos.

Os cinco fabricantes de automóveis do país – Hyundai, Kia, GM Coreia, Renault Samsung e Ssangyong – diminuíram sua produção em relação a Índia, que os superou em quantidade de veículos produzidos em 2016.

O estreitamento da economia mundial e do mercado interno poderá levar a que a quarta maior economia da Ásia seja superada nos próximos anos pelo México e outras nações competidoras na fabricação de automóveis.

As empresas coreanas se negam a ampliar a produção no país, o que consideram demasiado custoso. Em seu lugar Hyundai e Kia se apressaram a construir plantas no estrangeiro para aproveitar incentivos fiscais tais como os custos laborais e de impostos mais baixos, enquanto que GM e Renault Samsung diretamente importam veículos a partir de suas filiais no estrangeiro. Um executivo de Hyundai deixou clara a situação: “Não há razão alguma para Hyundai e outros fabricantes de automóveis ampliarem a produção na Coreia”. Já a Kia acaba de abrir uma planta no México e abrirá duas novas plantas na China no próximo ano.

Dezenas de milhares de trabalhadores haviam saído às ruas em julho deste ano como parte de uma greve geral dos 150 mil operários do setor metalúrgico, em solidariedade com o conflito de Hyundai.

Hyundai é o maior conglomerado multinacional do setor, por isso os trabalhadores de todo esse ramo de produção saem à greve em solidariedade para conseguir melhores condições de negociação coletiva.

Tradução: Yuri Marcolino




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