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POLÍTICA

Humilhação na fila do auxílio emergencial enquanto casta política recebe super-salários

segunda-feira 27 de abril| Edição do dia

Enquanto o governo Bolsonaro se prepara para blindar-se das denúncias de aparelhamento da Polícia Federal para garantir impunidade aos filhos do presidente, e Sérgio Moro se prepara para uma carreira direitista fora do governo, lavando as mãos para sua responsabilidade por ter manipulado as eleições para auxiliar o atual presidente, os brasileiros tem que se preocupar com questões mais imediatas da vida cotidiana, em meio às intrigas das diferentes facções capitalistas do regime.

Enquanto milhões de trabalhadores foram demitidos e outros ficaram sem receber salário em casa, a fila do auxílio emergencial mostra o descaso com outro setor da classe, os informais, MEI, trabalhadores autônomos etc.

Após mais de um mês de espera pela liberação de míseros R$ 600,00 para enfrentar a pandemia, uma multidão se aglomerou na agência da Caixa Econômica federal em Recife. O desespero garantido pelo governo de Bolsonaro e pelo incompetente Onyx Lorenzoni foi bem sucedida em garantir que os trabalhadores ficassem amontoados da fila de espera. Para completar, convocaram a Polícia Militar que reprimiu os trabalhadores em plena pandemia. Os funcionários da Caixa, por sua vez, foram colocados novamente em situação de risco - para além do risco concreto anunciado por Paulo Guedes que afirmou que cortará seus salários.

Em Brasília, autônomos relataram ao jornal local Correio Brasiliense a dificuldade em se conseguir auxílio. Synara Ligia Mendes, autônoma, relatou que liga para o 111 e a ligação cai. Synara depende da ajuda de amigos durante a pandemia, pois o governo nada faz, a não ser para salvar bancos.

Não se dá para estimar o número exato de pessoas com problemas com o aplicativo ou com o o próprio governo, pois a transparência não é exatamente uma marca de Bolsonaro e Onyx. Relatos vão desde erros na análise dos CPF - inúmeros jornais já estão explicando o que fazer nestes casos, mostrando como se generalizaram - até depósitos feitos em bancos errados, aonde a pessoa sequer tem conta, caso em que o dinheiro volta e a pessoa tem que mexer novamente no aplicativo.

Todos os dias, supostos "erros" no auxílio viram assusntos mais comentados nas redes, pois há pelo menos milhares, senão milhões, de pessoas que se cadastraram logo no primeiro dia e ainda estão "em análise".

Enquanto isso políticos da Câmara de Deputados e do Senado, Juízes, cargos de confiança etc, seguem recebendo altíssimos salários - teto deles é de R$ 33.763, muito maior do que qualquer trabalhador sonha em receber. Frente à este valor, é humilhante que Bolsonaro sancione apenas R$ 600,00 para autônomos e informais, não pague estes R$ 600,00 e se recuse a dar esse auxílio para taxistas e outras categorias como motoristas de aplicativo; pescadores; trabalhadores de artes e da cultura; agentes e guias de turismo; cabeleireiros e manicures e professores contratados que estão sem receber salário; além de mães adolescentes e pais solteiros.




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