Política

"FUNDO CÍVICO" PARA COMPRA DE DEPUTADOS

Huck e empresários querem dar “bolsas de estudo” e “curso” para comprar candidatos em 2018

quinta-feira 28 de setembro| Edição do dia

O apresentador de televisão Luciano Huck, que vem articulando sua candidatura à presidência em 2018, junto com o empresário da educação Eduardo Mufarej, sócio da Tarpon Investimentos e presidente da Somos Educação S.A, vai anunciar na próxima semana a criação do chamado "Fundo Cívico".

Huck e Mufarej querem distribuir "bolsas de estudo" para pessoas interessadas em se candidatar ao Legislativo nas eleições de 2018. Além de Mufarej e Huck, fazem parte desse grupo (como coordenadores ou investidores) figuras como o publicitário Nizan Guanaes, o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, o empresário Abílio Diniz.

Segundo o colunista do jornal O Globo Lauro Jardim, a intenção do grupo seria a de tentar eleger de 70 a cem deputados federais na próxima eleição, financiados pelo fundo. Mufarej foi procurado pela reportagem do Estadão para confirmar as pretensões do "Fundo Cívico", mas não retornou as ligações. A assessoria do projeto afirmou que "os detalhes ainda estariam sendo discutidos". A divulgação está prevista para ocorrer na próxima semana.

Eles alegam que a ação terá um caráter "apartidário" e que, portanto, deve alcançar potenciais candidatos em diversas legendas (como as propinas da Odebrecht e JBS). Para receber o financiamento, os empresários exigirão que os candidatos defendam seus interesses políticos, que eles chamaram de "premissas generalistas", como a "defesa da ética", da "sustentabilidade" e da responsabilidade fiscal (ou seja, dinheiro para pagamento da dívida pública em detrimento dos serviços).

Além disso, será formada uma espécie de "corpo docente" para acompanhar ou tutelar esses "alunos/candidatos". A composição desse corpo docente e o conteúdo programático do grupo ainda não estão definidos, mas deve seguir o modelo do Somos Educação - que tem escolas próprias e cursos pré-vestibulares (como o Anglo) e editoras (Saraiva e Ática, entre outras).

É de uma bizarrice sem tamanho a proposta demagógica desse "fundo cívico". Enquanto os partidos patronais estão censurando a esquerda com sua reforma política, os empresários tentam inventar novos jeitos, porcamente disfarçados com uma suposta "isenção" e um caráter "técnico" e "ecucativo", para continuar comprando os políticos e enchendo seus bolsos para que tenham um parlamento que esteja inteiramente ligado a seus interesses. Enquanto isso, candidaturas de trabalhadores e de esquerda enfrentam todo tipo de censura e falta de recursos para poderem competir com os milhões dos "fundos cívicos" empresariais.




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