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CRISE NO RIO

Hospital do Andaraí, no Rio, fecha cardiologia por falta de médicos

O hospital, que já havia passado o mês de Junho com a Emergência fechada, também perdeu nos últimos 20 dias, 78 médicos por fim de contratos temporários.

terça-feira 4 de julho| Edição do dia

No Hospital Federal do Andaraí, Zona Norte do Rio de Janeiro, a falta de funcionários impacta todos os setores e vem tornando cada vez maior a fila de espera para cirurgias no hospital. Hoje são cerca de 50 pacientes na espera por uma cirurgia para remoção de tumor de câncer de mama. Alem disso uma enfermaria inteira do setor de cardiologia está fora de funcionamento também por falta de funcionários.

Segundo a Comissão Externa da Câmara dos Deputados, composta por deputados e representantes do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) e do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), a cada 100 contratos temporários terminados, apenas 5 profissionais são repostos. E se contratos temporários já dão uma grande demonstração do nível de precarização da Saúde Pública, a reposição de funcionários (ou não reposição no caso) também escancara muito bem esse cenário.

A Comissão Externa da Câmara conta com deputados como Jandira Fegalhi (PCdoB/RJ) e Celso Pansera (PMDB/RJ). O grupo foi criado na semana passada para fiscalizar os hospitais federais do Rio de Janeiro.

Muitos dos profissionais da área da saúde no hospitais federais estão em situação de fim de contrato com a União. O que deixa os hospitais em situação bastante alarmante, já que os profissionais não estão sendo repostos, e o trabalho vai ficando cada vez mais, nas mãos de menos pessoas, e por consequência cada vez mais precário.

Somente na manhã desta segunda feira (03/07), a unidade de emergência do Hospital Federal do Andaraí foi reaberta, depois de cerca de um mês fechada. O setor estava fechado desde o início de Junho, por conta de problemas com a rede elétrica. A Emergência voltou a funcionar, mas os problemas na rede ainda seguem, assim como falta de materiais básicos para o atendimento.

No último quadrimestre, foram cerca de 40 mil atendimentos de emergência na rede de seis hospitais federais. Desse número, cerca de 57% correspondem ao Hospital do Andaraí, o equivalente a 22.860 dos casos.

Alem disso tudo, nos últimos 20 dias o Hospital ainda contou com a perda de 78 médicos do seu quadro. No último dia 13, o Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) do Ministério da Saúde no RJ informou que o Hospital do Andaraí tinha 599 médicos em seu quadro. Nesta segunda-feira esse número já baixou para 521.

Segundo o Ministério da Saúde, o Andaraí está inserido no plano de reestruturação da rede federal do Rio divulgado na semana passada. O governo federal tem como objetivo “aumentar em 20% o atendimento em oncologia, cardiologia e ortopedia”, que são as maiores demandas da rede hospitalar carioca. No entanto, como mostramos no início desta matéria, não é essa a situação que se encontra o Andaraí.

Em nota, o Ministério da Saúde diz que o Hospital da Zona Norte do Rio “aumentou em 20% as consultas ambulatoriais e em 15% as cirurgias em relação ao mesmo período de 2016”, deixando evidente que parece não ter muita importância o fato que ter havido uma grande queda no número de funcionários, e a precarização em diversos serviços no Hospital.




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