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Hospital Júlia Kubitscheck: referência em Covid-19 sem respeito da Fhemig com os trabalhadores

Recebemos denúncias de trabalhadores/as do HJK em BH, parte da Fundação Hospitalar do Estado de MG, que recentemente passou a atender exclusivamente casos de Covid-19. Entretanto, as condições de trabalho da linha de frente não correspondem ao papel que o Hospital precisa cumprir neste momento.

terça-feira 9 de junho| Edição do dia

“A gente fica com os casos de baixa complexidade, mas eles podem se transformar em alta complexidade, e o nosso problema é na ambulância, a maca é muito grande e pra gente mexer com ela a gente pode derrubar o paciente. Os outros profissionais que não são da enfermagem não ganham insalubridade pra lidar direto com o paciente, então quem tem que levantar a maca do chão com paciente somos nós técnicos de enfermagem, mas tinha que ter algum funcionário aí pra ajudar a gente. A gente não sabe pela lei se isso é um desvio de função, mas não recebemos treinamento pra isso e não temos força, corremos o risco de deixar os pacientes caírem e se machucarem. A gente já viu maca cair no pé de colega e machucar até a gente também.”

O relato acima é de um/a trabalhador/a que enviou essa denúncia anonimamente ao Esquerda Diário. Já publicamos aqui uma série de denúncias sobre as situações nos hospitais de BH, particularmente os da rede Fhemig, da qual os trabalhadores vinham de uma greve de mais de 70 dias alertando que sem condições dignas de trabalho a tarefa de salvar vidas se torna muito mais difícil e desumana. Faltam testes, EPIs, licenças remuneradas... mas faltam também salários dignos, e o governo Zema divide os trabalhadores da saúde por seus salários, muitas vezes drasticamente diferentes. Quem recebe menos são sobretudo o setor de técnicos de enfermagem, que são, em sua maioria, mulheres negras.

“No Júlia a gente recebe insalubridade de 20% mas deveria ser de 40% pelo tempo que cuidamos. Só médicos recebem o abono por Covid e falta teste para nós que podemos estar contaminados” – denuncia outro/a trabalhador/a. É assim que são tratados os trabalhadores da linha de frente do hospital de referência em MG. A culpa é de Zema, mas é também de Kalil, que promove afrouxamento do isolamento social com dados que não correspondem à realidade. Nós do Esquerda Diário defendemos que todas as demandas dessas e dessas trabalhadoras sejam atendidas imediatamente, mas não só, consideramos que são essas as melhores pessoas para gerir o SUS, e todo o sistema de saúde, com a estatização sem indenização do sistema privado.




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