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LEITOS DE UTI

Hospitais do país colapsam, mas Bolsonaro nega mortes de COVID-19 por falta de leitos de UTI

Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, 15, em entrevista à TV BandNews, que o Brasil não registrou até o momento nenhuma morte por covid-19 que tenha acontecido por falta de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) ou aparelhos respiradores

terça-feira 16 de junho| Edição do dia

Certamente que está ignorando o fato de há muito tempo hospitais de diversos estados já terem colapsado por conta da pandemia do Coronavírus, levando a um aumento nas filas de espera nesses leitos e a população morrendo literalmente na porta dos hospitais.

O Amazonas foi o primeiro estado a registrar mortes desse tipo, já em meados de março. A maioria dos estados e das principais capitais do país está entre 80-100% dos leitos de UTI ocupados. Bolsonaro apenas fecha os olhos pra vida da população, levando seu negacionismo ao extremo, inclusive orientando a maquiar dados no ministério da saúde, para justificar sua pressão para a abertura econômica do país.

"Não temos informações que qualquer pessoa tenha falecido por falta de UTI ou de respiradores, abastecemos Estados e municípios com recursos", disse Bolsonaro. A decisão que se refere Bolsonaro foi a do STF determinar que cabe aos governadores o poder de decidir sobre a abertura econômica, que tinha como objetivo limitar os poderes do Executivo nesse quesito.

Para ele, Bolsonaro, isso significou uma “falta de articulação com os govenadores”. É verdade que os governos estaduais não são menos responsáveis que Bolsonaro pelo aumento da pandemia e pela situação de calamidade dos hospitais, mas porque ambos atendem à mesma pressão empresarial pela retomada econômica, mesmo com o país disputando para ser o primeiro do mundo com maior número de mortes pelo coronavírus.

Contudo, a única articulação com que Bolsonaro claramente se preocupa é pela abertura econômica e os governadores, inclusive os do PT, estão em sintonia, mesmo que o estejam fazendo em ritmo controlado, mas não por isso justificável.
Querem obrigar os trabalhadores a seguir sendo explorados durante a pandemia, lotando os pontos de ônibus, contaminando locais de trabalho e suas casas, para que o lucro capitalista não seja prejudicado. Se com Bolsonaro não houve nenhuma preocupação em destinar recursos para a ampliação massiva de leitos de UTI, enquanto destinava R$1,2 trilhão aos bancos, tampouco os governos estaduais cobraram as dívidas ativas com empresários ou deixaram de cumprir religiosamente da Lei de Responsabilidade Fiscal, que pudesse ampliar leitos e contratar massivamente os funcionários.

Quem mais padece com esse cenário são os trabalhadores e sobretudo a população negra, que não tem opção de ficar em quarentena, ou quando o tem, são em casas muitas vezes sem saneamento ou água encanada. Essa é a realidade que Bolsonaro não quer ver, e que tampouco os governadores estão preocupados em resolver.
Para que haja de fato recursos para a ampliação urgente de leitos de UTI é necessário taxar as grandes fortunas e parar o pagamento ilegal da dívida pública e unificar as filas do SUS sob controle dos médicos, técnicos de enfermagem, e demais trabalhadores dos hospitais, que para que possam tomar nas suas mãos até o fim o combate decisivo contra a pandemia e impedir que a porta dos hospitais siga acumulando corpos.




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