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PROTESTOS EM HONG KONG

Hong Kong: milhares de estudantes nas ruas em greve estudantil contra o governo Chinês

No que deveria ter sido o primeiro dia do calendário acadêmico, milhares de estudantes universitários e secundaristas boicotam suas aulas e dão um novo impulso aos protestos. Nas 13 semanas desde o início das mobilizações não só houve uma radicalização nos métodos, mas também nas demandas.

terça-feira 3 de setembro| Edição do dia

A segunda-feira, 2 de setembro, marca o fim do recesso de verão nas diversas escolas e instituições de ensino superior de Hong Kong. Já nesse primeiro dia, mais de 200 escolas e 13 universidades declararam uma jornada de greves estudantis contra o governo, mobilizando mais de 10.000 estudantes para os atos do dia, segundo os organizadores. O que usualmente é mais um dia normal na ilha de 7,5 milhões de habitantes não poderia o ser agora, frente à onda de protestos massivos e praticamente diários que atinge a cidade semi-autônoma. As paralisações e manifestações, despertadas por um Projeto de Lei que permitiria extraditar presos políticos para a China continental e pela histórica censura e repressão por parte de Pequim, vem tomando proporções inéditas em questões de número e de uso da violência.

Já são mais de 1.100 presos e centenas de feridos. O sistema de transporte urbano e o aeroporto vêm sendo sistematicamente paralisados e conflitos violentos entre manifestantes e a polícia da ilha se tornaram recorrentes, com manifestantes utilizando-se de bombas incendiárias, barricadas, lasers e toda forma de método para barrar o avanço das tropas de choque e debilitar os métodos de perseguição chineses, que incluem um sofisticado sistema de reconhecimento facial. Os manifestantes exigem a retirada total da possibilidade de extradição, assim como anistia para os presos, a investigação independente dos casos de violência policial e o sufrágio universal.

Em meio à crise política mais grave de sua história desde a independência em relação ao Reino Unido em 1997, se coloca em xeque agora a soberania Chinesa sobre a ilha, imersa em protestos contra o autoritarismo da potência continental, o que também abre uma debilidade para o país que se encontra em meio à guerra comercia l com os EUA pela disputa da hegemonia econômica e tecnológica mundial. Hong Kong é um dos maiores hubs financeiros da Ásia e seu controle garante uma posição privilegiada para a China no mercado mundial, o que abre espaço para os EUA e seus aliados enfraquecerem as posições do país concorrente através do apoio a setores “pró-ocidente”.

O recuo parcial do governo de Carrie Lam, Chefe do Executivo de Hong Kong, ao afirmar que a proposta da Lei de Extradição “está morta” não foi o suficiente para diminuir os protestos, cujas demandas vieram se radicalizando da reivindicação de sua renúncia (por estar profundamente atrelada às políticas de Pequim) aos mais recentes gritos dos milhares de estudantes: “Hong Kong livre! Revolução agora!”, demandando a autonomia da ilha, ainda que fortemente no paradigma da democracia liberal. Em resposta à escalada da radicalização, o governo central chinês – em seus veículos de mídia e através de seus ministros - que vinha constantemente exigindo medidas de repressão violenta por parte de Lam, ao afirmar que a situação “há muito ultrapassou os limites da ordem”, parte para novas ofensivas.

Diversos treinamentos militares contra civis vêm sendo realizados na fronteira continental com a ilha e reproduzidos nos canais de mídia oficiais da China, assim como diversos pronunciamentos de ameaça que marcam que “o fim está próximo” e buscam afirmar a validade de uma repressão assassina como a do Massacre da Praça Tian’anmen (1989), onde mais de 2600 pessoas foram mortas pelo exército Chinês. Essa situação levou analistas a compararem a tática de terror psicológico de Pequim com as do general mongol Kublai Khan, famoso por cercar cidades e lhes atirar flechas portando cartas ameaçando massacres caso não se rendessem.

Frente ao autoritarismo do governo de Xi Jinping e de seus representantes em Hong Kong, é preciso reivindicar uma linha de defesa de todos os direitos democráticos da população da ilha, sem nutrir nenhuma ilusão nos interesses do imperialismo estadunidense e inglês na posição estratégica que Hong Kong ocupa no mar da China e na economia asiática. Os trabalhadores e estudantes, que apresentam uma colossal disposição de luta nas mobilizações e mostram um caminho nas greves massivas com paralisações de setores estratégicos, devem lutar por uma linha política de independência de classe, contra a dominação bárbara de Pequim e o oportunismo imperialista.




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