Internacional

FRANÇA - IRAQUE

Hollande visita o Iraque para apoiar a ofensiva contra os jihadistas

O presidente francês dedicou sua primeira viagem do ano para sustentar a intervenção imperialista no Oriente Médio e reforçar a ofensiva contra o Estado Islâmico (EI) no Iraque para recuperar Mosul.

terça-feira 3 de janeiro de 2017| Edição do dia

O mandatário francês, acompanhado por seu Ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, e pelo presidente da região autônoma do Curdistão, Masud Barzani, visitou a frente de batalha perto da estratégica cidade de Mosul, a última região que os jihadistas controlam no Iraque.

Hollande declarou que a França vai responder às necessidades das forças curdas “peshmergas”, que tem estado na linha de frente da guerra contra o EI no norte do Iraque desde 2014. Disse que o objetivo de sua visita é “ver o avanço das forças ‘peshmergas’ e as iraquianas”, que deram início a uma grande ofensiva para expulsar o EI de Mosul em 17 de outubro passado e renovaram seu impulso na semana passada, depois de um período de estancamento produto da resistência dos jihadistas, seus contra-ataques em Mosul e pelo mal tempo.

Hollande defendeu a intervenção imperialista que encabeça os EUA e que já resultou em dezenas de milhares de mortos, como uma luta contra os atentados que realiza o EI na França. “Atuar contra o terrorismo no Iraque significa também evitar atos terroristas em nosso solo”, declarou.

França é a segunda força na coalizão internacional anti-jihadista depois dos EUA, com 1.200 soldados, 30 aviões militares e várias peças de artilharia pesada. Mas as intervenções militares francesas com a desculpa de combater o terrorismo vão além de Iraque e Síria.

Na África mantém a operação Barkhane em Mali com mais de 4.000 militares. Interviu na República Centro-Africana até outubro de 2016, quando passou o controle aos ‘capacetes azuis’ da ONU. Também na Líbia (onde sua força aérea foi chave na derrota do ditador Kadafi) e outros países africanos mantém tropas operativas.

Estas intervenções têm o objetivo de proteger os interesses imperialistas tanto no Oriente Médio como na África, onde os monopólios franceses têm grandes negócios e interesses estratégicos. Em nível interno, a ofensiva imperialista de Hollande se expressa na manutenção do estado de sítio e a militarização desde os atentados em Paris em novembro de 2015 e no aumento da repressão aos protestos sociais como se viu na grande luta contra a reforma trabalhista.

No Iraque, apesar dos prognósticos negativos e de que a ofensiva militar está se estendendo mais do que o previsto, Hollande assegurou que “o EI retrocede frente as forças iraquianas” e que a operação “durará umas semanas, não anos”, e a comunidade internacional verá “seu fim em breve”. Ademais, se ofereceu a reconstruir a cidade de Mosul quando terminar sua libertação dentro de “umas semanas”.

Para encobrir seus objetivos imperialistas, Hollande destacou que os iraquianos são os que ganharam a guerra contra o EI e que a França somente presta apoio, conselho e respaldo aéreo às forças do país árabe que combatem sobre o chão. Neste sentido agregou que se colocou de acordo com o comando iraquiano para quem os combatentes no chão foram “exclusivamente iraquianos”.

Por sua parte, o primeiro ministro iraquiano Al Abadi confirmou que o papel da coalizão internacional “se ao conselho e apoio às forças iraquianas” e que esta “não tem forças de combate no território iraquiano”.

O Estado Islâmico todavia controla zonas do norte do Iraque, onde explodiu em junho de 2014 e desde onde proclamou um “califado islâmico” nos territórios sob seu domínio. Na Síria, a organização tem sua principal base na cidade de Al Raqa, contra a qual a coalizão internacional de dispõe a lançar sua tomada junto à aliança curdo-árabe Forças da Síria Democrática.




Tópicos relacionados

Iraque   /    França   /    Governo Hollande   /    Estado Islâmico   /    Internacional

Comentários

Comentar