SENADO BARRA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NA ARGENTINA

Hoje ficou claro que temos que lutar pela separação da Igreja do Estado

A Igreja utilizou todo seu poder e seus privilégios que o próprio Estado lhe dá para impor seu obscurantismo e evitar que as mulheres tenham o direito a decidir sobre sua maternidade.

Nicolás del Caño

@nicolasdelcano

quinta-feira 9 de agosto| Edição do dia

Aquela manhã do dia 14 de junho, quando era aprovada a meia sanção à legalização do aborto na Câmara, escrevíamos: "Não se esconde de nós, como dizíamos nos discursos naquela seção histórica na Câmara dos Deputados, que ainda que aprovada a meia sanção no Senado denominado diretamente pelos governos feudais do PJ, Cambiemos e os partidos provinciais, não ia ser fácil que se sancionasse. O poder obscurantista da Igreja vai fortalecer toda sua maquinaria a serviço de manter a máfia do aborto clandestino. Na semana passada, María Engenia Vidal e Carolina Stanley isitaram a Bergoglio no Vaticano. Ali terminaram de selar o pacto para evitar de todos os meios que a força da mobilização pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito pudesse infiltrar-se nas instituições reacionárias deste regime, como é o congresso."

E não nos equivocamos. A Igreja utilizou todo seu poder e seus privilégios que o próprio Estado lhe dá para impor seu obscurantismo e evitar que as mulheres tenham o direito a decidir sobre sua maternidade.

Tiveram como aliados uma grande parte dos partidos patronais, o PRO, a UCR, o PJ e até o kirchnerismo. E, claro, a instituição reacionária como o Estado.
A Frente de Esquertda (FIT, pela sigla em espanhol) é a única força política nacional que tem o aborto legal, seguro e gratuito em seu programa, e atuamos em consequência.

Na hora de fechar os acordos com o FMI, de rebaixar as atribuições familiares a milhões de trabalhadores, de colocar os militares novamente em seu papel de repressores, saem decretos somente com a firma do presidente.
Mas quando se trata de um direito de milhões de mulheres e de acabar com o negócio lucrativo do aborto clandestino e com as mortes que este provoca, tem que passar por todo um sistema institucional para evitar que nada aconteça a esses poderosos, neste caso a cúpula da igreja e seus aliados. E quando falamos de aliados, não apenas dizemos os partidos políticos majoritários, mas também a maioria das direções sindicais, que não colocam a força dos trabalhadores a serviço desta luta, e muitos delas se pronunciaram abertamente contra esse direito.

Aos que falam em "defesa das vidas", não importa a vida das mulheres

A mobilização verde de hoje foi imensa, apesar de todos aqueles que quiseram nos desencorajar e apesar da tempestade verdadeiramente hostil. Era pelo menos dez vezes maior e com muito mais energia do que a pobre demonstração celestial organizada pelas igrejas e suas escolas confessionais.

Durante meses, milhões de mulheres de todas as idades levaram essa luta histórica exemplar em suas mãos para as escolas, faculdades, locais de trabalho e bairros Trabalhadores, estudantes, atrizes, todos com o apoio de grande parte de seus amigos e familiares.
O revés que sofremos hoje não pode nos desencorajar.

Esta luta veio para ficar

A Igreja não pode continuar tendo o poder que possui. Basta de privilégios! Temos que lutar pela separação definitiva da Igreja e do Estado e assim retomar a luta para acabar com o aborto clandestino e que todas as mulheres tenham o poder de decidir se querem ser mãos ou não e impor esta conquista com luta e mobilização.




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