Internacional

ESPORTE CONTRA O RACISMO

Histórico: Basquete e Beisebol dos EUA paralisados em protesto contra o racismo

Por iniciativa do Milwaukee Bucks com o Orlando Magic, a NBA suspende os playoffs. Há uma assembléia de jogadores de basquete. No beisebol, os Milwaukee Brewers e os Cincinnati Reds se somaram.

Augusto Dorado

@AugustoDorado

quinta-feira 27 de agosto| Edição do dia

“PUTO COM ISSO CARA!!! NÓS EXIGIMOS MUDANÇA. FARTO DISSO”, foi a frase contundente de LeBron James - estrela do Los Angeles Lakers - em suas redes sociais. Sintetiza o espírito do movimento de protestos começados na tarde de hoje por seus colegas do Milwaukee Buck, equipe da cidade mais importante de Wisconsin, o estado onde no último domingo a polícia atirou à queima-roupa e pelas costas no afroamericano Jacob Blake (deixando-o em estado grave), desatando uma onda de protestos.

A equipe do Milwaukee tinha que disputar a quinta partida de playoffs contra o Orlando Magic, mas decidiu não jogar a partida no prédio da “bolha” da Disney (lugar para onde todo o torneio foi girado) para dar visibilidade à indignação contra o racismo e a violência policial. Seus rivais aderiram à iniciativa.

A raiva se espalhou rapidamente entre os atletas de elite da NBA, a ponto de que os jogadores de todas as equipes que iriam protagonizar as partidas de hoje estavam discutindo tomar a mesma atitude: paralisaram os jogadores do Oklahoma City Thunder, Houston Rockets, Los Angeles Lakers e Portland Blazers. Diante de um fato quase consumado, as autoridades da própria NBA anunciaram a suspensão da data. “Estamos com nossos jogadores”, comunicaram no Twitter subindo a hashtag #JusticeForJacobBlake.

Na verdade, o movimento é uma continuação e aprofundamento do que começou com a retomada do torneio da NBA após a suspensão por conta da pandemia. Ainda estava muito latente a indignação com o assassinato de George Floyd em Minnesota, outro afroamericano vítima da brutalidade racista da Polícia, motivando as primeiras ações como ajoelhar-se no início de cada partida quando soava o hino nacional dos Estados Unidos. A agressão brutal contra Jacob Blake no último fim de semana, somada à repressão contra às manifestações de rua, aprofundou a indignação dos atletas.

Levando em consideração que todas as equipes competem no complexo esportivo da Disney World, ocorreu uma assembleia de jogadores na quarta-feira a noite, onde debateram os passos a seguir. A possibilidade de encerrar o torneio não está descartada: figuras como Jayson Tatum do Boston Celtics justificaram que a suspensão ou cancelamento do campeonato "geraria um grande impacto, todos teriam que falar sobre isso" reafirmando que "Ser negro nos Estados Unidos é mais importante do que o que fazemos em uma quadra de basquete".

A liga feminina WNBA também se mobilizou e suspendeu suas atividades, enquanto as jogadoras determinam os próximos passos.

E se a radicalização do basquete já era mostra suficiente de quão profundo é o movimento contra o racismo e a brutalidade policial (sintetizado na frase #BlackLivesMatter), a paralisação do beisebol expressa que algo histórico está sendo fermentado. O jornalista Jared Diamond emergiu como porta-voz dos Brewers de Milwaukee que suspenderam a partida que tinham que jogar ontem. Seus rivais Reds de Cincinatti apoiaram e se juntaram ao protesto. Outros times da Grande Liga de Beisebol, como o Seattle Mariners estão também discutindo a suspensão do calendário. Uma das figuras da equipe, Justin Dunn, expressou a mensagem “enough is enough” (que destaca a indignação com uma determinada situação).

O beisebol é outro dos grandes esportes de elite nos Estados Unidos, mas, ao contrário do basquete da NBA, é composto majoritariamente por jogadores brancos e latinos. A demonstração de solidariedade parece indicar que desperta um movimento mais difundido e decidido a enfrentar o racismo. E isso está apenas começando.




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