OLIMPÍADAS

Higienização e tortura: remoções truculentas de sem-teto nas Olimpíadas

De acordo com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro a Prefeitura vêm expulsando de forma truculenta as pessoas em situação de rua, dos locais públicos em que costumam ficar. O objetivo seria manter a cidade “limpa” para os turistas durante a Olimpíadas. Para apurar a situação a Defensoria via Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh) criou o projeto Ronda DH, que em parceria com a Defensoria Pública da União, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil e outras instituições tem circulado pelas ruas e coletado depoimentos por meio de questionários.

sexta-feira 12 de agosto| Edição do dia

Pelas informações obtidas pela Defensoria, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) é responsável por grande parte das violações cometidas contra a população em situação de rua (49%) , seguida dos agentes da Operação Choque de Ordem (24%), depois a Guarda Municipal (17%) e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social - SMDS (14%). Os depoimentos são escandalosos e escancaram o agressividade e o uso da força para com essas pessoas e do recolhimento dos seus pertences .

Alguns trechos dos relatos colhidos abaixo: "Me pegaram no Campo de Santana, me levaram para o Aterro do Flamengo, pediram para eu abaixar as calças e tacaram spray de pimenta. Logo depois me liberaram", "Estava no Aterro do Flamengo com uma barraca acampando. A equipe do Aterro Presente pegou a barraca e a mochila e tacou fogo, falando que não poderia acampar." "Veio a van do abrigo, polícia, Guarda Municipal e o caminhão da Comlurb.

Me chamaram de preta e pobre, falaram pra eu levantar, deixar meu cobertor e ir embora", contou Erica Augusto, de 36 anos, que mora há dez nas ruas. "Levaram tudo meu só por causa da Olimpíada, essa bagunça. Falaram que eu não posso ficar sentada onde passa o VLT. Estão levando meus amigos à força, tá morrendo morador de rua envenenado." "Eu tenho problemas com drogas, qual a vantagem para mim ir para um abrigo que tem boca de fumo dentro?".

Esta política de "higienização" da cidade é uma prática recorrente do governo de Eduardo Paes (PMDB), que retira a população de rua e os manda para os abrigos em péssimas condições ou para locais mais afastados do centro da cidade.

Semelhante atuação era feita durante o verão carioca, onde a polícia revistava, e em muitos casos, detinham, os jovens negros que vinham da zona norte. O governo trata com repressão e violência um problema causado pela falta de moradia e políticas públicas, ou seja causado por ele próprio. Devemos lutar pela taxação nas grandes fortunas, e confisco dos bens dos políticos e empresários corruptos que querem "limpar" a cidade enquanto milhares de pessoas foram removidas para as obras dos megaeventos. Por um plano de obras públicas e moradia controlado pelas organizações de trabalhadores e movimentos sociais!




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