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RACISMO

Haitiano é agredido com corrente e chamado de "macaco" e "preto feio"

Estudante de Administração conta que agressão ocorreu na terça-feira (5), em Chapecó, Santa Catarina.

sexta-feira 8 de dezembro de 2017| Edição do dia

O haitiano Jean Malko Joseph, 31 anos, estudante de administração da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), mora há sete anos no Brasil e já precisou registrar três boletins de ocorrência por agressão física e verbal por preconceito. Na última terça-feira (5), ele conta ter sido novamente vítima: Dessa vez com uma corrente, que nos remete diretamente de volta a escravidão, um homem em Chapecó bateu nele após ter feito ofensas raciais.

Malko J, como prefere ser chamado, conta que estava passeando pela cidade com a namorada e o cachorro quando foram até um supermercado. Ela entrou e ele ficou do lado de fora, já que estava com o animal. Nesse momento, um homem se aproximou em uma bicicleta.

"Um homem começou a se aproximar de mim, uns 40, 50 anos, falando algo bem baixinho. Eu achei que eu conhecia ele e cheguei mais perto. Daí eu entendi que ele tava me xingando", disse Malko.

Segundo ele, o senhor começou a chamar de "macaco", "preto feio", entre outros xingamentos. "Quando eu perguntei se ele estava falando comigo, ele me disse que sim e completou: aqui é a minha terra e você tem que me respeitar. Você não é bem-vindo aqui", conta Malko, além de racismo a xenofobia é possível de ser enxergada na fala do brasileiro a ele.

Depois, o estudante disse que foi amarrar o cachorro num local próximo do supermercado e, quando virou para o homem novamente, ele já estava com uma corrente com cadeado na mão. "Foi muito rápido, não sei de onde ele tirou a corrente, mas ele partiu para cima de mim e eu segurei a mão dele, por isso que acabou batendo só na perna", conta.

Ainda conforme o rapaz, houve troca de empurrões e o homem chegou a cair no chão. A briga foi apartada por pessoas que estavam no local e o agressor foi embora sem ser identificado. "Não registrei o boletim de ocorrência ainda porque estou em final de semestre. Vou terminar as provas e vou fazer", fala Maiko.

Com o nome artístico Maiko J, o estudante tenta desabafar sobre as situações vividas em canções, como na música Sangue Vermelho. Ele diz ter dificuldade de conseguir emprego também por preconceito e trabalha como autônomo.

"É muito duro. Eu uso o rap para tentar trabalhar essas coisas através de poesia, da música. É muito difícil lidar com o preconceito e ele sempre vai existir." disse ao G1 (aqui)

Os três boletins de ocorrências anteriores foram registrados em Porto Alegre (RS) e Chapecó. Em Porto Alegre, o haitiano sofreu uma tentativa de roubo do celular num parque, mas as pessoas ao redor acharam que ele era o assaltante. Na mesma cidade, sofreu preconceito físico e verbal do dono da casa onde morava. Em Chapecó, ele afirma ter sofrido violência policial em um caso no qual não tinha envolvimento.

Esse caso nojento é uma evidencia latente do racismo no Brasil, um país aonde os negros ocupam os piores postos de trabalho e são 67% dos presos, sendo que 40% de toda a massa carcerária nem chega a ser julgada. É assim que o sistema se estrutura, com brancos ganhando 80% a mais que negros, o racismo serve e nasceu com o capitalismo, e só morrerá com o seu fim através da luta dos trabalhadores e dos povos oprimidos.




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