Haddad diz ser "amigo pessoal de Macri", presidente argentino das reformas antipopulares

Como diria o velho ditado, “me diga com quem andas que lhe direi quem és”. Um ditado velho para uma fórmula não tão velha de fazer política do Partido dos Trabalhadores: a conciliação. Como se não bastasse as velhas alianças dos governos petistas e os acenos que o PT tem dado a setores do capital financeiro, Haddad se mostra amigo de Macri, primeiro presidente a "reconhecer" o governo golpista e ilegítimo de Temer.

Douglas Silva

Estudante da UFJF

terça-feira 2 de outubro| Edição do dia

Como dizia Marx, a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa.

Foi durante uma visita ao centro de investigações médicas Fiocruz, no Rio de Janeiro, que Haddad ressaltou ser amigo pessoal de Macri. Mas, afinal, como Haddad encara sua amizade com o presidente dos ajustes, encabeçados junto ao FMI, contra os trabalhadores?

Na verdade, a amizade que o petista faz questão de destacar é aquela mesma que sustenta com setores do mercado e finanças como forma de garantir que os capitalistas “o tire para dançar” no centro do salão. Afinal, as vésperas das eleições brasileiras, os donos do capital ainda não são uníssonos quando se trata sobre quem apoiar na disputa Bolsonaro x Haddad, e setores do mercado financeiro e alguns setores da direita, como FHC, já sinalizaram apoio ao "mais tucano dos petistas"

Mas, e o Macri, quem é?

Mauricio Macri, é o presidente que tem se comprometido a alcançar o "déficit zero" aos cofres argentinos, ou seja, tem prometido aos banqueiros e empresários imperialistas de que garantirá todas as reformas antipopulares aos trabalhadores para garantir o acordo com o FMI e o pagamento da dívida pública, deixando a população sofrer com uma inflação de 42%, com "tarifaços" e salários ultra-desvalorizados.

Um dos ataques de Macri foi a reforma da previdência, aprovada em dezembro do ano passado, mesmo mês em que o congresso aprovou a reforma tributária que diminuía o imposto de grandes empresas. Em novembro o governo também anunciou uma reforma trabalhista para ser aprovada em 2018.

Todas as medidas antipopulares do governo Argentino fazem parte da conta passada pelos capitalistas ao Estado, uma conta que, no Brasil, continuou a ser paga pelos governos petistas, como com o pagamento fiél da dívida pública, mas aprofundada com o golpe institucional e o governo Temer.

Sobre essa amizade, Myriam Bregman, deputada argentina do PTS pela FIT (Frente de Esquerda dos Trabalhadores, pela sigla em espanhol) denuncia essa tentativa de pacto de conciliação petista com Deus e o mundo, atirando para todos os lados para conseguir apoio, chegando ao presidente argentino que foi o primeiro a "reconhecer" o governo golpista de Temer:

Você pode fazer birra contra a esquerda ou lembrar que o governo de Macri foi o primeiro a reconhecer o governo GOLPISTA de Michel Temer, e claro, que não apresentou nenhuma queixa (como faz com a Venezuela) em relação à proscrição ilegal e ilegítima de @LulaOficial

Haddad, as amizades de uma farsa anunciada

O candidato a presidência indicado por Lula, após o mesmo ser impedido de candidatar por conta da manipulação dessas eleições pelo judiciário, tutelado pela crescente politização à direita das Forças Armadas, que retirou o direito do povo decidir em quem votar, busca, a todo custo, distribuir acenos ao mercado e às finanças.

Afinal, Haddad sabe que, para sustentar sua governabilidade, se eleito, terá que fazer alianças com aqueles que, inclusive, foram responsáveis pelo golpe institucional e aprofundamento de ataques ainda mais duros do que os que vinha fazendo Dilma (PT). Porque um eventual governo petista, por mais que ganhe de Bolsonaro nas urnas, não irá sumir com os 28% de intenções de votos no capitão reacionário. Então, o ex-prefeito de São Paulo, será, num eventual governo petista, incapaz de fazer o “Brasil feliz de novo”, levando em conta que já não se trata mais dos anos de “bonança” do lulismo, mas de uma profunda crise que foi gestada em 2008 e hoje não será superada, com o avanço do golpismo ou de um novo “pacto nacional”, como defende o PT, sem que seja descarregando a crise nas costas dos trabalhadores.




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