Há dois meses de quarentena, Peru supera os 80.000 casos de COVID-19

A estratégia do governo diante da COVID-19 fracassou. Enquanto se retomam os negócios dos grandes capitalistas como os mineradores, o número de infectados supera os 80 mil, o que converte o país no 12º do ranking mundial de países com maior número de contágios.

segunda-feira 18 de maio| Edição do dia

Segundo dados oficiais, temos hoje no Peru mais de 80.000 casos confirmados e 2.169 mortos. O crescimento dos infectados é diário, por isso na quinta-feira 14 de maio foram registrados 4.298 casos, diferente dos 3.237 contágios reportados um dia antes (13 de maio). A essas cifras se somam o fao de que só foram processadas 532.169 mostras, que é uma porcentagem muito baixa considerando que o Peru tem uma população de 31 milhões de habitantes segundo o último Censo Nacional realizado em 2017.

Apesar que as cifras oficiais apresentadas acima já são altas, estas vem sendo questionadas por diversas instâncias, como o Colégio Médico, o Sindicato de Enfermeiras do Seguro Social e do MINSA (Ministério da Saúde), que criticaram a manipulação de informação por parte do governo, a falta de entrega de equipamentos de biosegurança, , e em particular, questionaram a atuação do ministro de saúde, Victor Zamora.

A essas denúncias feitas por associações de médicos e enfermeiras, se somam as denúncias feitas pela ONG Instituto de Defesa Legal IDL, a qual, em um informe anterior, sinalizou que a cifra de mortes por COVID-19 no Peru era muito superioa à apresentada pelo governo. Assim mesmo, o semanário Hildebrandt, em sua edição desta sexta-feira 15 de maio, mencionou que o governo não diz a verdade em relação ao número de infectados e a suposta descida da curva epidemiológica.

Porém, e apesar de que a data é contundente, o governo declarou que estamos no topo da curva de contágios e o que resta agora é esperar que a curva comece a descer nos dias que se seguem. Isso deixa mjuitas dúvidas, já que o que foi dito pelo presidente e pela imprensa apoiadora do executivo, não condiz com os fatos da realidade concreta que todos os dias nos mostra o crescimento dos contágios por COVID-19.

Por isso, as denúncias dos trabalhadores da saúde têm sido constantes desde o início da quarentena, e esta quarta-feira em todo o país se realizaram plantões exigindo a imediata entrega de equipamentos de proteção individual e denunciando o abandono do Estado às e aos trabalhadores do setor que foram infectados por COVID-19, razão pela qual já temos 30 mortos entre médicos e enfermeiras.

Reativação para os capitalistas, fome e desemprego para o povo trabalhador

Enquanto os números de contágio aumentam exponencialmente a cada dia, o governo decidiu reativar as grandes mineradoras, os restaurantes por delivery e as atividades realizadas por empresas da construção civil. Com isso, serão expostos milhares de trabalhadores e suas famílias ao contágio por coronavírus, já que estes se verão obrigados a voltar a seus postos de trabalho sem que as empresas assegurem minimamente sua segurança.

Fica demonstrado assim, que as quarentenas que não são acompanhadas de outras medidas não detém o avanço do COVID-19. Por isso a ausência de testes massivos tornou impossível detectar e isolar adequadamente aos portadores do vírus. A isso se soma a precária situação do sistema de saúde sanitário público, o qual está colapsando pelo número de infectados que dia após dia começam a abarrotar as salas e corredores de hospitais.

Enquanto não se toca nos lucros dos empresários, os contágios e os mortos irão aumentando entre os trabalhadores e os pobres. Para que essa crise não paguemos os de sempre, é necessário inverter as prioridades e que seja aplicado um imposto progressivo às grandes fortunas dos empresários nacionais e estrangeiros, para obter os recursos suficientes para enfrentar adequadamente esta pandemia.




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