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Há 11 dias do massacre de Nochixtlán, novas ameaças de repressão por parte do governo

A tarde de sexta-feira, 1 de julho, Miguel Ángel Osorio Chong, o atual secretário do interior, declarou que “se esgotou o tempo” para os milhares de professores que resistem às graves consequências da chamada reforma educativa, com demitidos, ameaças, massacre e repressão.

segunda-feira 4 de julho de 2016| Edição do dia

“Reitero: sim ao diálogo e sim às soluções, mas não por cima da sociedade. Para o governo não há opção, se trata de devolver a tranquilidade à milhões de cidadãos que a exigem e por direito a merecem, faremos assim a partir do governo”.

Foram as palavras de Osorio Chong, enquanto em Guerrero, Oaxaca, Chiapas, Monterrey, Tabasco, na Cidade do México, além de outros países como Guatemala se realizaram protestos de professoras e professores com a participação de setores de pais e familiares, alunos e sociedade em geral. Quando o governo vê que se estende a solidariedade nacional e internacional à luta do magistério dissidente, responde com mais ameaças.

Produto destas ameaças é a política de lançar uma enorme campanha midiática nos meios de comunicação à serviço do regime mexicano e dos empresários – que ostentam nos desfalques econômicos e mentem sobre a queda da gasolina e vários produtos em consequência das ações do magistério – enquanto o povo de Oaxaca, a sociedade e a opinião internacional continua reclamando justiça pelo massacre de 19 de junho, que deixou – segundo o comitê de Nochixtlán – 11 mortos pela polícia federal e local, no estado de Oaxaca.

Mais uma vez está claro o cinismo do governo, que propõe um diálogo em que reafirma a intenção de aplicar a reforma educacional enquanto ameaça uma ou outra vez com a repressão. É evidente que a aceitação do diálogo por parte do governo não é para dar solução positiva ao magistério. Se trata apenas de uma manobra moratória para desgastar o movimento.

O único diálogo que o governo a serviço dos empresários, das transnacionais e do imperialismo estadunidense conhece é o imposto por meio das balas sobre o povo trabalhador; Tlatlaya, Ayotzinapa e agora Nochixtlán.

A Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) repudiou a declaração do governo federal, onde se faz latente o despejo e a repressão sobre as bases magisteriais que se encontram resistindo em diferentes pontos do país com bloqueios e mobilizações.

Um setor da direção magisterial assegurou que recorrer novamente ao uso da força pública “somente reavivará o conflito”. Assim, asseguraram que manterão a demanda para um diálogo, mas advertiram que o governo federal “deve comprometer-se realmente para que seja um espaço de resoluções”.

Ante à novas ameaças repressivas é necessário se abrigar na mais ampla solidariedade ao movimento magisterial em cada canto do país. Todas as pessoas que têm participado das mobilizações em apoio ao magistério e contra a repressão – professores, normalistas, mães e pais de família, intelectuais, organizações políticas, sociais e de direitos humanos, estudantes – têm a honra de expressar o apoio efetivo às professoras e professores que enfrentam a reforma educacional.

É urgente que a CNTE realize uma nova convocação para uma mobilização nacional unificada para fazer frente a ameaça repressiva.

Por sua vez, é de primeira importância que exija das centrais sindicais opositoras já a data de uma greve nacional para frear a ofensiva do governo, a repressão e a reforma educacional. Também é fundamental convocar as trabalhadoras e os trabalhadores do setor público e privado que estão hoje amordaçados pelas direções sindicais das centrais governistas, a organizar-se e unir-se ao grande movimento magisterial que hoje luta nas ruas.

Assim mesmo, é chave impulsionar um encontro nacional de luta que comprometa os principais sindicatos da UNT e da NCT. Um encontro para coordenar a luta, reagrupar forças e fortalecer o movimento.

Se o magistério triunfa, o conjunto da classe trabalhadora e os setores populares estão em melhores condições para lutar contra as reformas estruturais e a entrega do país para as transnacionais.

Tradução Alexandre "Costela"




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