Juventude

RIO GRANDE DO NORTE

HOJE: Todos a assembleia geral da UFRN!

Pelo direito de permanência na universidade! Unificar a luta contra o abandono dos bolsistas com a luta contra os cortes e contra a Reforma da Previdência! Assembleia Geral dos Estudantes será hoje, 20/05, às 16h30, em frente ao Restaurante Universitário.

segunda-feira 20 de maio| Edição do dia

O Restaurante Universitário do Campus Central da UFRN tem problemas estruturais que colocam em risco os 70 trabalhadores que garantem seu funcionamento. Assim, a Reitoria decidiu por demiti-los e destinar R$ 1 milhão mensais para manutenção de mais de 4 mil bolsistas, o que resultaria em uma bolsa de R$ 250 por estudante, completamente insuficiente para sua alimentação.

Frente a ameaça de fechamento do RU e da demissão de trabalhadores terceirizados, não podemos aceitar que tenhamos que escolher para onde vai o recurso, se é para pagar nosso auxílio ou o salário dos terceirizados. Precisamos exigir a abertura do livro de contas e debater entre nós para onde vai os recursos da universidade, sobretudo sabendo que a burocracia da reitoria recebe grandes privilégios a fim de que os recursos da universidade sejam destinados a parcerias com a iniciativa privada. Além disso, para defender os terceirizados precisamos exigir que sejam efetivados, sem a necessidade de um concurso público, pois provam todos os dias que podem cumprir a sua função e que não merecem menos direitos que qualquer trabalhador da universidade.

Na última quarta-feira fomos milhões em todo o país e demonstramos nossa capacidade de mobilização para derrotar os cortes na educação, e a potencialidade da juventude de não ceder a chantagem de Bolsonaro e despertar a classe trabalhadora. Em Natal, fomos dezenas de milhares e é urgente tornar a defesa de permanência estudantil parte da mobilização em curso, assim como centrar a combinação deste ataque local com os cortes e com a Reforma da Previdência.

O plano de Bolsonaro, Weintraub e sua laia é evidente: atacam as universidades, com um corte de capaz de inviabilizar o funcionamento da grande maioria delas e colocam a possibilidade de recuar no contingenciamento caso da Reforma da Previdência seja aprovada. Ou seja, ficamos entre universidades que contemplem não mais que uma parcela mínima da população ou trabalharmos até morrermos.

Na mesma semana, decidiu por retirar a autonomia da escolha de Reitores e cargos de confiança das universidades, para ficar sob responsabilidade de ninguém menos que o Ministério da Educação, da Casa Civil e da Secretaria do Governo, comandados pelos ministros Abraham Weintraub, Onyx Lorenzoni e Santos Cruz, um militar. Como parte do avanço deste autoritarismo, foi demitido também o diretor do INEP, aparentemente por recusar acesso de Weintraub a dados sigilosos de alunos e professores.

Precisamos multiplicar nossa mobilização e entender que somente nos unificando à classe trabalhadora e não cedendo às chantagens do time de capachos de Trump, poderemos defender as nossas necessidades.

Na última Assembleia Geral dos Estudantes da UFRN, no dia 03 de Maio, foi votado que o material impresso pelo DCE da UFRN teria a denúncia aos cortes da Educação, vinculado à luta contra a Reforma da Previdência e a denúncia do que ocorre no Restaurante Universitário. É inadmissível que a Gestão do DCE tenha passado por cima dessa deliberação quando imprimiu um material que só falava da denúncia contra os cortes, fazendo coro a orientação nacional da UNE, que desvincula essa da reforma da previdência. Isso não acontece a toa, já que tanto o DCE, quanto a majoritária da UNE são compostas pelas mesmas correntes: PT, PCdoB e Levante Popular da Juventude.

Estas organizações preferem negociar nossos direitos do que permitir com que a nossa mobilização se dê de fato desde as bases e que estas decidam seus rumos. Os governadores do PT e do PCdoB no Nordeste hoje negociam uma Reforma da Previdência alterada, ao passo que o PCdoB apoiou Rodrigo Maia (DEM) para a Presidência da Câmara dos Deputados, e o elegeu com votos de parlamentares petistas. Wellington Dias (PT), governador do Piauí, enfrenta uma greve estudantil na UESPI após atacar o orçamento desta universidade, demitindo terceirizados, cortando bolsas e impedindo contratação docente. Rui Costa (PT), governador da Bahia, cortou ponto de professores da UNEB em greve contra congelamento de salários.

Estes ataques precisam fazer despertar a consciência de qual é o real lado da majoritária da UNE: da conciliação de interesses com a burguesia, na qual quem paga o pato da crise somos justamente nós, juventude e classe trabalhadora.

Por isso, não podemos aceitar que os rumos da nossa luta dentro e fora da UFRN seja decidida em reuniões entre os “presidentes” e “secretários” da UNE. O próprio dia 30, sua data, trajeto e, principalmente, suas pautas, não deveriam ter sido decididos por fora de um espaço que representasse a mobilização de cada curso e escola desse país.

A própria direita bolsonarista terá um ato dia 26 para defender esse ataque em resposta ao dia 15. Por que faria sentido esperarmos até o dia 14 de junho para unificar estudantes e trabalhadores de todo o país contra a Reforma da Previdência? A UNE, junto as centrais sindicais CUT e CTB, deveriam desde já antecipar o chamado a uma paralisação nacional contra os cortes e a reforma para esse dia 30, pois só assim teremos um dia de luta mais massivo e radicalizado do que foi o dia 15, com os estudantes fazendo um chamado aos trabalhadores à unidade contra Bolsonaro.

Precisamos exigir que a Greve Geral seja adiantada imediatamente para o dia 30/05, para unificar o movimento dos estudantes e profissionais da educação com o conjunto da classe trabalhadora.

Por isso também que o mais democrático seria se a UNE, nesse momento de luta, ao invés de baixar ordens de como devemos segui-la, deveria querer que cada assembleia de curso debatesse propostas e elegessem delegados que levassem essas medidas para um comando nacional de articulação das lutas em curso. Sendo esses delegados revogáveis caso desrespeitassem as decisões das assembleias, a base estudantil poderá, assim, ter muito mais controle dos rumos dessa mobilização.

Nesse momento, nós do Esquerda Diário estamos defendendo em cada assembleia que seja aprovado um chamado à UNE que se coloque a disposição de organizar esse comando nacional de delegados eleitos, promovendo assembleias representativas nos cursos e a eleição desses delegados. Essa articulação nacional nesse momento é fundamental frente a massividade que se deu a participação estudantil no último dia 15. Esses estudantes tem o direito de decidirem democraticamente sobre o desenvolvimento desse enfrentamento e terem a garantia que nenhuma direção burocrática trocará a mobilização por um acordo feito pelas costas.

Na UFRN é mais que necessário que exista um comando de mobilização próprio, composto por delegados eleitos nas assembleias dos distintos cursos, que o nosso DCE deveria se colocar a disposição de convocar ao invés de burlar decisões das assembleias gerais. Seria um exemplo para todo o país de um espaço que estivesse a serviço de democratizar o movimento e promover vivos debates nos cursos, envolvendo o máximo de estudantes em luta contra a lógica passiva e rotineira que nosso DCE impôs o ano todo.

Temos força para barrar os ataques aos estudantes e trabalhadores dependentes do RU, os cortes na Educação e a Reforma da Previdência.




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