Sociedade

VIOLÊNCIA NO RIO

Guerra às drogas já deixou 632 vítimas de "balas perdidas" em 2017 no RJ

O estado do Rio de Janeiro vive um cotidiano de tiroteios que já deixou um mar de vítimas este ano, em sua maioria pessoas negras e pobres da periferia.

quinta-feira 6 de julho| Edição do dia

A estatística é de uma realidade assustadora, onde 632 pessoas foram vítimas das chamadas "balas perdidas". Uma média de 3,4 casos por dia no estado do Rio, somente este ano. Este fato vem à tona na mesma semana em que uma menina de 11 anos foi morta por operação policial no Lins. Ou mesmo o caso de Maria Eduarda, morta dentro da escola.

O levantamento é apresentado pela matéria do Globo, com base em dados da Polícia Civil. Apontam que a maioria dos casos ocorrem na periferia, sendo a Baixada Fluminense a região com o maior acúmulo de casos: 154 mortos e feridos.

A matéria do Globo começa afirmando que "a insegurança não tem endereço". Entretanto, os fatos apontam para outro sentido, pois as balas perdidas encontram justamente a população negra a pobre do Rio, onde a polícia cotidianamente tira vidas sob o argumento de "combate ao tráfico". Como na operação policial que resultou na morte de Vanessa, onde havia o relato de um confronto entre dois grupos de tráfico, a polícia chega e uma jovem é morta dentro de sua casa após a entrada de um policial.

Como aponta sobre o caso de Vanessa e os demais que ocorrem cotidianamente no Rio, Carolina Cacau, estudante da UERJ e professora da rede do estado, moradora do bairro Lins de Vasconcelos: "Passei a tarde inteira ouvindo muitos tiros, e isso tem ocorrido semanalmente. É cada vez mais gritante a violência absurda no Rio e tantas mortes de moradores e jovens negros nas favelas. A polícia e o Estado justificam essa operações com a guerra as drogas, mas sabemos a hipocrisia que é pois os grandes traficantes e a polícia seguem enriquecendo as custas de tantas mortes como a da menina Vanessa. Essa violência é fruto também da retirada de direitos e ataques aos serviços sociais da população, e da miséria que Pezão e o governo Temer nos submetem com o desemprego e reformas. Não vamos aceitar essa realidade, e que os empresários, os políticos e policiais sigam enriquecendo as custas da retirada da vida da juventude e crianças, mulheres e idosas nas favelas. Não vamos mais aceitar essa realidade, nossas vidas valem mais que seus lucros!"




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