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VIOLÊNCIA RIO

Guerra às drogas impede acesso da população à saúde no Rio

Pelo menos 552 episódios de violência causados por operações de farsesca guerra às drogas afetaram o funcionamento de unidades de saúde da rede municipal do Rio este ano, promovendo um prejuízo humano incalculável, além de 6 milhões em dinheiro publico investido.

quarta-feira 18 de outubro| Edição do dia

São em média dois episódios por dia em que o funcionamento de unidades básicas de saúde do Rio de Janeiro são afetados por tiroteios promovidos por operações policiais sob a justificativa da chamada guerra às drogas, que na prática aterroriza moradores das comunidades, assassina a juventude negra e impede que a população possa ao menos ir à uma unidade de saúde em busca de atendimento.

Com base em que o governo paga R$ 82 mil por mês para as organizações sociais que administram o serviço e que a cada dia de paralisação forçada das atividades são desperdiçados R$ 21.866, chega-se ao total de R$ 6 milhões o montante investido na manutenção do serviço que não chegou a população neste ano.

Só a Clínica da Família Maria do Socorro, na Rocinha, que atende cerca de 550 pessoas por dia teve que fechar suas portas durante quatro dias, além de paralisações na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o Centro Municipal de Saúde Albert Sabin, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e a Clínica da Família Rinaldo de Lamare. Mas não é exclusividade da Rocinha.

Na cidade do Rio são 552 episódios classificados como "vermelhos", quando o risco é tão grande que todas as atividades devem ser suspensas, nos nove primeiros meses deste ano e 380 registrados de janeiro a outubro do ano passado, além de 1.246 episódios classificados como "amarelos", quando as atividades externas precisam ser suspensas.

Em dezembro de 2016, um tiro atingiu a cabeça e matou a empregada doméstica Nilza de Paula Rocha, de 51 anos dentro da Clínica da Família Palmeiras, no Complexo do Alemão. Esse é mais um retrato do terror imposto pelo Estado às comunidades e favelas no Rio, hipocritamente em nome da segurança, mais repressão e violência.

Se o desperdício de dinheiro publico por si já é um escalabro, ainda mais de tratando de saúde publica, onde são vidas que estão em jogo, o prejuízo humano direto é incalculável. Um Estado que investe milhões para manter o exército na cidade e facilitar o trabalho de repressão e terror da polícia mais assassinado mundo que impede à população de levar seus filhos à escola ou ir ao médico, não merece nenhuma confiança.




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