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PRIVATIZAÇÕES

Guedes quer acelerar venda de estatais em prol do lucro: "não dá para esperar um ano e meio"

Nesta quinta-feira (05), o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou em encontro com empresários em Fortaleza que o governo quer acelerar os processos de privatização das empresas estatais e sugeriu lançar o “Programa de Aceleração de Privatização” (PAP), em ironia ao Programa de Aceleração de Crescimento do governo Lula. Seguindo com seu plano de privatizações, Guedes quer garantir o quanto antes o lucro dos grandes empresários enquanto descarrega a crise nos trabalhadores.

sexta-feira 6 de setembro| Edição do dia

O ministro declarou que no setor privado a venda é feita em 40 dias, enquanto no setor público o processo de venda demora cerca de um ano e meio para cada empresa, e cita como exemplo a privatização dos Correios. "Por que tem que demorar tanto? Tem oito caras querendo comprar (os Correios)", diz o ministro.

"Qual a dúvida em privatizar os Correios? Lá nasceu o mensalão. Ninguém escreve mais cartas", diz Guedes. Os Correios é uma das mais antigas e importantes empresas estatais do país, nas últimas décadas vem sofrendo um processo de sucateamento e ataques aos seus trabalhadores, sendo parte do projeto de preparar para a privatização com a desculpa de “inutilidade”, como declarou o ministro, para esconder que o verdadeiro propósito é transformar em mercadorias lucrativas na mão dos capitalistas.

Guedes defendeu ainda que o processo de vendas das empresas deve ser mais ágil e menos burocrático, pois o governo quer enviar uma lista de projetos para acelerar as privatizações ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ter liberação rapidamente. Após privatizar 8 empresas no primeiro semestre, o governo de Bolsonaro anunciou recentemente a privatização de 17 empresas estatais, incluindo Correios e Eletrobrás, acelerando a entrega dos setores estratégicos da economia nacional.

Sobre a reforma tributária, o ministro declarou desejar fazer um “reforma conciliatória”, pois existem várias propostas que mostram que entre a própria burguesia não existe consenso. Essa reforma vem para ajustar o sistema tributário às novas formas de exploração que se gestam sobre a décimo primeiro ano da crise econômica. No encontro chegou a gradeceu a PEC Paralela do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que autoriza estados e municípios a adotar a Reforma da Previdência, tornando os ataques da reforma para todo o funcionalismo do país. A PEC foi aprovada no mesmo dia à PEC principal da reforma, que prevê idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens e 62 para mulheres.

Nenhuma dessas reformas pode resolver a crise econômica criada pelos capitalistas sem atacar e diminuir nossa qualidade de vida já baixa. Pelo contrário, sua prioridade é passar todas as riquezas do país para as mãos das empresas privadas, para que os patrões tenham seus lucros garantidos enquanto os trabalhadores têm que pagar a crise.

Por trás dos planos das privatizações e os ataques aos trabalhadores e a juventude com a reforma da previdência, promovida por Guedes, encontra-se o destino desses projetos: o pagamento da ilegítima e fraudulenta dívida pública, um mecanismo de saque do país promovido por banqueiros e investidores com sede de lucro à custa da precarização das vidas dos trabalhadores. É importante entender a gravidade do ataques que as privatizações do governo apresenta, como colocar em risco os milhares de funcionários e suas famílias, ainda mais frente a um cenário de aprofundamento da crise econômica com aumento do custo de vida e o desemprego, além da Amazônia que queima para satisfazer o lucro dos capitalistas.

Não queremos uma economia que se organize para atender à necessidade dos grandes banqueiros e imperialistas. Queremos uma economia que se organiza para atender aos objetivos e necessidade da classe trabalhadora e da população pobre, por isso é necessário ser totalmente contra essa política de privatizações que só visa o lucro de uma pequena minoria, lutando pela estatização das empresas sobre controle dos trabalhadores.




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