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Guedes e o programa Renda Brasil: mais ataques a classe trabalhadora

Nessa terça-feira (1º de Setembro de 2020) o então ministro da Economia, Paulo Guedes irá apresentar a base de sustentação política do governo Bolsonaro um plano de ação que incluir cortes em diversas áreas com o objetivo de viabilizar o programa Renda Brasil no valor de 300 reais.

sábado 29 de agosto| Edição do dia

Nessa terça-feira (1º de Setembro de 2020) o então ministro da Economia Paulo Guedes irá apresentar à base de sustentação política do governo Bolsonaro um plano de ação que inclui cortes em diversas áreas com o objetivo de viabilizar o programa Renda Brasil no valor de 300 reais. Segundo matéria publicada na Folha de São Paulo o governo precisa de um total de 25 bilhões de reais para a viabilização desse programa. Contudo, para realizar essa ação Guedes irá propor cortes no auxílio reclusão, salário maternidade, pensão rural e seguro-desemprego.

O tema desse debate também se remete a questão que o então presidente Jair Bolsonaro tinha declarado de forma demagógica que não iria tirar dos pobres para dar aos paupérrimos numa clara tática populista de tentar se esquivar da mobilização das massas em um rompante pós-pandemia. O governo Bolsonaro fica entre a cruz e a espada, tendo em vista que o mecanismo do teto dos gastos mina a possibilidade de investimento estatal conforme a Emenda Constitucional nº95/2016 aprovada no governo do Golpista Temer prefigura.

Nesse quadro, Bolsonaro entende que sua popularidade está vinculada ao auxílio emergencial, em um país com milhares de desempregados e de pessoas sem renda, especialmente no interior do país e nos rincões do Nordeste brasileiro, o valor do auxílio vem causando um efeito semelhante das políticas assistenciais petistas no decorrer desses últimos trezes anos. Nesse sentindo, apostando nesses elementos, Bolsonaro tenta criar hegemonia para com os de baixo através de um viés populista e assistencialista.

É preciso demarcamos em que de forma alguma somos contra os valores que as pessoas estão recebendo, inclusive temos plena ciência que os 600 reais que o governo vem disponibilizando é bastante inferior para a capacidade de reprodução das famílias brasileiras, se pegarmos apenas as estatísticas do DIEESE veremos que o salário mínimo da trabalhadora e do trabalhador brasileiro deveria ficar na faixa de 4.000 reais. Esse dado implica que até nessa questão o capitalismo logra para a classe trabalhadora uma taxa de reprodução inferior aquela necessária para recomposição de sua força de trabalho.

Diante dessa pintura demagógica, não podemos nos enganar com o governo Bolsonaro e seu artífice Paulo Guedes, que maquina novas formas de golpear a classe trabalhadora para além daquelas que estão programadas a exemplo da reforma administrativa e privatizações, como a que estamos presenciando no caso dos Correios e dos valores destinados ao pagamento da dívida pública.

A diminuição em 50% do valor do auxílio emergencial em cima de um valor que já era pouco apenas demonstra o caráter negligente do governo para com a classe trabalhadora, que nessa pandemia é a mais afetada, mesmo fazendo as coisas funcionarem como os entregadores por aplicativos e profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate à Covid-19.

Entendemos que é necessário superar a essência dos fenômenos e ir na raiz dos problemas que se fazem presentes em nossa realidade. Esse exercício não é mero esforço interpretativo, mas sim, parte constituinte da vinculação entre teoria e práxis revolucionária, por isso entendemos a necessidade tática e estratégia de conformação de um partido revolucionário no Brasil que de fato leve as demandas da classe trabalhadora por uma perspectiva anticapitalista como defende as candidaturas revolucionários do MRT.

Pensar essas questões implica também, realizar um salto qualitativo em termos de crítica e na mais clara tradição trotskista fazer frente aos problemas cotidianos mostrando que sua superação se da apenas por uma via revolucionária que consiga de fato trazer ganhos substâncias com independência de classe, realizando aquelas ações que as burguesias nacionais não possuem capacidade de realizar devido a seus interesses serem divergentes daqueles da classe trabalhadora.

Nesse sentido, questionamos o governo Bolsonaro, por que realizar cortes para ofertar migalhas se ao olharmos para o pagamento da dívida pública brasileira vemos um montante de recursos serem canalizados pelo capital financeiro? Por que esses elementos não são amplamente discutidos com a sociedade e se faz um esforço tremendo para encobrir as negociatas do Banco Central na emissão de valores e papeis da dívida ? É levando em considerações esses elementos que no Manifesto do MRT por exemplo, podemos encontrar a ideia de não pagamento da dívida pública que certamente ajudaria a classe trabalhadora ter recursos suficientes para o enfrentamento da pandemia:

Os capitalistas e governantes sempre dizem que não há dinheiro para nossas demandas; a desculpa para ataques como a reforma da previdência (enquanto os militares aumentaram seus privilégios) e o “teto dos gastos” que precisam ser derrubados. Primeiramente, o dinheiro deve vir da taxação progressiva das grandes fortunas, começando pelas poucas famílias aristocráticas do país, tirando daí o necessário para as demandas mais urgentes.

Conforme destaca o manifesto, apenas na última década foram retirados um montante de mais de 1 trilhão de reais para financiar a dívida pública, valor mais que necessário para a construção e manutenção de leitos de UTI necessário ao combate da COVID-19.

Não podemos guardar nenhuma ilusão de que o governo Bolsonaro tenha algo a oferecer a classe trabalhadora a não ser mais ataques e retirada de direitos. O cenário da pandemia forçou o governo a tomar medidas que para a cúpula governamental e para o “garoto de Chicago” o ministro Paulo Guedes são elementos reprováveis, tendo em vista que na sua lógica Neoliberal e meritocrática, o mercado tudo resolve através do processo de concorrência.

***Crédito da imagem de capa da matéria: Agência Brasil.




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