GÁS NATURAL

Guedes e Bolsonaro tem uma nova mentira milagrosa: privatizar gás natural destruindo meio ambiente

Mercadores de ilusões e mentiras, Paulo Guedes e Bolsonaro estão espalhando uma nova mentira, a privatização do gás natural salvaria o país, gerando empregos, crescimento da economia e outros milagres. Desmascaramos suas mentiras interessadas nesse artigo.

terça-feira 25 de junho| Edição do dia

A nova promessa privatista de Bolsonaro e Guedes é que a privatização do gás natural fará milagres ao país. Todos grandes jornais abraçam a iniciativa e dedicam “estudos” e manchetes sobre o tema. Detrás de suas mentiras escondem-se os seguintes objetivos: entregar os recursos naturais ao imperialismo, destruição ambiental e aumentar os lucros patronais às custas do bolso dos trabalhadores e da classe média, mais uma etapa do intenso processo de privatização e venda generalizada levado a frente pelo governo Bolsonaro, que já conta com: 6 terminais portuários para a privatização, 8 refinarias privatizadas e entrega de 34 campos de petróleo do RN.

“Um choque de energia barata é tudo que todos sonham..., tem muita coisa boa quando se faz uma coisa como essa... Estamos superotimistas que isso vai fazer o Brasil crescer”, disse o ministro Paulo Guedes, acrescentando que monopólios impedem o desenvolvimento.

No que consiste o plano?

A Petrobras vende ao imperialismo todos seus gasodutos a preço de banana (já fez isso, entregando a francesa Engie e ao Itaú 90% de todos gasodutos do país); ela abre mão das empresas de comércio de gás natural que ela tem ou é sócia (Liquigás, etc), e ainda passa a oferecer a todo mercado livre acesso a suas instalações de processamento de gás natural. Tudo isso deve-se somar a importação de gás americano, dos Emirados Árabes e “renegociar” contratos com a Bolívia e Argentina para lhes arrancar mais riquezas por menores preços, somada a maior presença imperialista no pre-sal e a liberação da controvertida técnica de “fracking” geraria o milagre de Guedes.

“Isso então é que deve reduzir o preço da energia. E os cálculos são esses, eu tinha uns cálculos até um pouquinho mais otimistas. Pode ser que a energia caia cerca de 40% em menos de dois anos até, mas são simulações”, disse o ministro.

Assim, dizem, chegariam a 40% de redução de preços. Número altamente duvidável, como mostraremos, e que para ser possível teria gigantesco impacto no meio-ambiente, nas condições de trabalho e no bolso de cada trabalhador brasileiro como mostraremos.

Desmascararemos as principais mentiras nessa operação de destruição das riquezas do país.

1- Queda do preço do gás empurrará economia do país e gerará empregos

Folha, Estadão, e outros meios garantiram manchetes que falam que se preço do gás natural cair 40% o PIB industrial cresceria 8,46%. Parece algo muito expressivo para uma economia sem emprego e entrando novamente em recessão.

Vejamos. A indústria em franca destruição para dar lugar a um projeto de país exportador de commodities (projeto que deu um salto nos anos do PT e não somente com os golpistas) era de somente 11,3% do PIB de 2018. Ou seja, se acontecesse o duvidoso milagre da redução do preço em 40% haveria um aumento de....0,12% do PIB!

Um impacto de 0,12% do PIB não pode ser considerado nenhum motor para retomada da economia. Trata-se de mais uma falácia.

Tal como a promessa de empregos com a reforma trabalhista de Temer, ou melhoria da economia com a reforma da previdência de Bolsonaro (que o próprio governo estima que ajudará PIB em meros 0,40%). Trata-se de mentiras para outros objetivos: entregar recursos aos capitalistas e ao imperialismo.

Como que a indústria, cheia de capacidade ociosa gerará emprego com um impacto de meros 0,12% do PIB? Evidentemente uma outra unidade de fracking gerará algum emprego onde ela se instalar, mas isso está longe de ser a promessa da terra de lei e mel que dizem.

2- Privatizando o custo do gás natural cai?

Essa é uma parte complexa da mentira de Guedes e Bolsonaro.
O preço do gás natural no país é parcialmente determinado pelo preço mundial, pela proposta seria integralmente determinado. Hoje há preços fixos oriundos dos contratos com a Bolívia e a Argentina (acima do preço americano), e preços que a Petrobras vende a si mesma acompanhando o mercado mundial (ou o preço do contrato com a Bolívia). Com a nova proposta ela faria o mesmo que ela faz com a gasolina, com o diesel. Ou seja, se o preço mundial subir, sobe aqui. Se o dólar valorizar contra o real, sobe também.

Como então poderia cair o preço do gás natural?

Há um descompasso, relativo, entre os custos do petróleo e seus derivados e o preço do gás natural. Esse último produto tem sido ofertado a preços menores nos EUA graças a técnicas monstruosamente poluentes, proibidas em alguns estados americanos e em diversos países europeus, o “fraturamento hidráulico” (“fracking”, shale gas ou “xisto”). Para que o Brasil tenha acesso a gás natural a “preços americanos” é necessário implementar as mesmas técnicas aqui ou tornar-se um gigantesco importador dos EUA.

Porém há um detalhe nesta promessa de redução de preços: ela exige que a gasolina e o diesel fiquem mais caros. Ou seja gás natural mais barato para os capitalistas industriais significa gasolina e diesel mais caros para quem tem que usar o próprio carro ou no custo do transporte público.

Numerosos estudos mostram que não há investimento inicial no “fracking” se o petróleo não estiver a cerca de US$50 ou mais. Ou seja, para tornar rentável essa técnica ela exige de antemão petróleo (e gasolina e diesel) caros.

Resumindo como chegaríamos a 40% de redução no gás natural?

1) Estando sujeitos a aumentos de diesel e gasolina.
2) Impondo um saque à Bolívia, desvalorizando de forma selvagem o preço do que é comprado.
3) Aumentando muito a produção do pre-sal mas que para acompanhar o preço do fracking exigiriam mudar radicalmente as relações de trabalho para baratear os custos, retirando direitos dos petroleiros, tornando as atividades mais arriscadas, etc.
4) e fundamentalmente estabelecendo a técnica do “fracking” que é proibida em muitos país do mundo.

3- O milagre do fracking, o gás natural barato e dos rios que pegam fogo

Com a técnica do fracking os custos poderiam ser reduzidos. Guedes e o governo Bolsonaro trabalham para autorizar essa técnica que não está autorizada a ser realizada no país.

Ela consiste em triturar o solo mecânica e quimicamente para que ele solte o gás natural que está preso nas rochas. Resultado: grande quantidade de metano penetra nos lençóis freáticos e criam-se rios inflamáveis como nos vídeos abaixo que mostram um rio pegando fogo na Austrália e a contaminação na água oferecida a população nos EUA:

4- Como garantir combustíveis baratos e outro metabolismo do ser humano com a natureza?

A preocupação de Guedes e Bolsonaro não é de oferecer combustíveis baratos à população. É de aumentar os lucros dos empresários e entregar as riquezas nacionais ao imperialismo e seus sócios nacionais, como já fizeram com os gasodutos entregues à francesa Engie e ao Itaú. Sua promessa de gás natural barato se fará aos custos de gasolina e diesel potencialmente mais caros a toda população e a imenso custo ambiental implementado o “fracking” e aumentando a pressão e espoliação, junto aos imperialismos, de países que também nos fornecem gás, como a Bolívia. Outra opção seria submetendo completamente aos EUA, tornando-se importadores de gás do fracking.

A preocupação de Guedes e Bolsonaro não é com a população, tal como não era de Moro e da Lava Jato com o combate à corrupção, mas de aumentar os lucros dos empresários e trocar determinados esquemas capitalistas aos quais o PT continuou e se adaptou, por novos, com a cara da direita e mais subservientes aos EUA.
Para garantir segurança operacional, um uso racional de combustíveis poluentes visando que essas riquezas sirvam aos interesses dos trabalhadores e para estabelecer novos usos e tecnologias que permitam outro metabolismo da humanidade com a natureza é preciso que as tecnologias estejam controladas pelos seres humanos e não pelo lucro.

Isso não é possível em nenhuma hipótese sob esse plano de Bolsonaro e Guedes, como também não é alcançável com um retorno a uma gestão estatal petista para o lucro dos acionistas da BOVESPA e Wall Street e mil e um esquemas de corrupção. Para livrar-se das mazelas da corrupção, da poluição e irracionalidade capitalista que chega a produzir até mesmo rios inflamáveis, é necessário que todos recursos do petróleo nacional sejam estatais e administrados pelos petroleiros com controle popular, só assim pode-se começar a dar um passo para que os avanços tecnológicos estejam a serviço da humanidade e não dos capitalistas.

As imensas riquezas do petróleo poderiam estar a serviço dos trabalhadores e não dos lucros, e sob administração dos trabalhadores seriam uma escola para a necessária luta anticapitalista e revolucionária em todos ramos de produção e contra o estado capitalista que garante o parasitismo de exploradores e destruidores do planeta.




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