Política

REUNIÃO MINISTERIAL DE BOLSONARO

Guedes assume Pró-Brasil como plano demagógico que esconde futuros ataques do governo

Em vídeo vazado da reunião ministerial de Bolsonaro, Paulo Guedes deixa claro que o “plano Pró-Brasil” de Braga Netto é uma demagogia e que o futuro é retomar ataques e privatizações com tudo: “Vamos fazer todo o discurso da desigualdade, vamos gastar mais, precisamos eleger o presidente.”

Fernando Pardal

@fepardal

sexta-feira 22 de maio| Edição do dia

No vídeo da reunião ministerial do governo Bolsonaro divulgado pelo ministro Celso de Mello, as falas do ministro Paulo Guedes deixam clara a sua insatisfação mesmo com as medidas ultra-restritas de investimentos governamentais colocadas pelo plano Pró-Brasil, elaborado pelo gabinete de crise do general Braga Netto. Guedes assume que não é mais do que uma demagogia temporária, imposta pela pandemia, mas que o governo segue firme em seus planos de reformas que atacam os direitos dos trabalhadores e privatizam as empresas estatais. Veja as falas do ministro que expressam isso, feitas após a apresentação de Braga Netto em relação ao Pró-Brasil:

Paulo Guedes:}} […] não vamos nos iludir. A retomada do crescimento vem pelos investimentos privados, pelo turismo pela abertura da economia, pelas reformas. Nós já estávamos crescendo. (sic) Voltar uma agenda de trinta anos atrás, que é investimentos públicos financiados pelo governo […] E todo mundo vem aqui: "vamos crescer, agora temos que crescer, tem que ter a resposta imediata, porque o governo vai gastar". O governo quebrou! O governo quebrou! Em todos os níveis. Prefeitura, governador e governo federal. Que que nós conseguimos fazer? Nós sinalizamos o contrário. Nós desalavancamos banco público, reduzimos endividamento, baixamos juros e o Brasil ia começar a voar. Então se agente lançar agora um plano, é ... todo o discurso é conhecido: "acabar com as desigualdades regionais",

[…] Cadê o dinheiro do governo pra fazer isso? Num tem. Então quem tá sonhando, é sonhador. A gente aceita, politicamente a gente aceita. Vamos fazer todo o discurso da desigualdade, vamos gastar mais, precisamos eleger o presidente. Mas o presidente tem que pensar daqui a três anos. Não é daqui a um ano não. Tem muita gente pensando na eleição desse ano. É só a observação que eu faria.}

Se já sabíamos que Guedes tem interesse em privatizar até a última estatal desse país, não deixa de ser chocante uma manifestação tão desvelada de seu cinismo, de se colocar sob o plano de Braga Netto de pífios investimentos sem deixar por um segundo de planejar novas privatizações e ataques aos direitos dos trabalhadores.




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