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Guaidó visita Bolsonaro: golpistas se reúnem em prol da intervenção dos EUA na Venezuela

quarta-feira 27 de fevereiro| Edição do dia

Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela, anunciou sua viagem ao Brasil para esta quarta-feira. Logo depois de fracassadas suas provocações junto aos EUA, com o auxílio de seus capachos (Brasil e Colômbia) na fronteira venezuelana, Guaidó busca assegurar que a frente única com a direita latinoamericana a serviço de um golpe de Estado na Venezuela segue de pé.

O plano do fantoche de Trump é "fazer uma visita de agradecimento a Bolsonaro" e conversar sobre "temas relacionados a uma possível transição no país sul-americano em crise", segundo a Folha.

Outro tema que Guaidó e seus assessores querem tratar é seu retorno à Venezuela: estando impedido de sair do país, Guaidó atravessou a fronteira com a Colômbia para coordenar as provocações fracassadas deste último sábado (23/2), em nome de uma suposta "ajuda humanitária". Esta é a patética situação do fantoche de Washington que se desfez em frases, no final de semana, sobre como havia inúmeros efetivos das Forças Armadas que o apoiavam. Aparentemente estes efetivos não se encontram nas regiões de fronteira.

Na reunião do Grupo de Lima, desta última segunda-feira (25/2), reconheceu-se o fiasco das provocações na fronteira e acabou-se descartando uma intervenção militar. Embora Trump continue com suas declarações de que "todas as opções estão na mesa", os vários representantes do grupo de Lima declararam durante o dia que "descartavam" o "uso da força" na Venezuela. Tal como fez o Peru e o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, que disse acreditar "firmemente" que é "possível devolver a Venezuela ao convívio democrático das Américas" sem "qualquer medida extrema". Os direitistas latinoamericanos, por ora, se reservaram tomar decisões que aprofundem as sanções econômicas, e insistir na "pressão diplomática" contra Maduro.

Guaidó havia chamado uma intervenção militar estrangeira na Venezuela, depois do fiasco de sábado, dando mais um exemplo de como não tem qualquer preocupação pelos "direitos humanos" ou a "democracia" no país, atualmente devastado pela catástrofe econômica e social e pelo autoritarismo impostos por Nicolás Maduro, verdadeiro responsável pelo fortalecimento da direita golpista venezuelana.

Diante disso, a visita de Guaidó a Bolsonaro reunirá alguns pedidos ao capacho imperialista no Brasil. Guaidó não negociará apenas sua patética transferência clandestina ao território venezuelano, mas também que Bolsonaro congele os ativos da PDVSA (empresa petrolífera donde provém o grosso da renda estatal venezuelana) e transfira a posse dos bens venezuelanos depositados no Brasil ao próprio Guaidó. Tudo, tal como mandou o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, no Grupo de Lima.

Jair Bolsonaro e seu governo segue como um vassalo se ajoelhando no altar de Trump: auxiliou as provocações na fronteira com a Venezuela, causando incidentes para transformar o sofrimento dos venezuelanos em "espetáculo midiático". Atua em sintonia com as exigências do assessor de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, e Elliott Abrams, responsável por coordenar a ofensiva imperialista na Venezuela e responsável por crimes de guerra na Nicarágua e em toda a América Central na década de 1980. Junto com os direitistas Ivan Duque (presidente da Colômbia), Sebastián Piñera (presidente do Chile) e Mauricio Macri (presidente da Argentina), Bolsonaro encabeça o capachismo servil ao imperialismo norte-americano. Hoje, Bolsonaro é o pilar para a intentona golpista dos EUA que aprofundará as condições de miséria dos trabalhadores.

Repudiamos o papel reacionário de Bolsonaro na crise venezuelana. Os servos norte-americanos instalados no Palácio do Planalto sabem que, se triunfa um golpe de Estado na Venezuela, a relação de forças na América Latina em geral, e no Brasil em particular, beneficiaria seus ajustes neoliberais, como a reforma da previdência. Devemos lutar contra a interferência imperialista na Venezuela, sem qualquer apoio político a Maduro. Maduro aprofundou a política chavista, num momento de crise econômica e queda dos preços do petróleo, que resultou em políticas de ataque aos trabalhadores e benefício das multinacionais, que junto à burguesia venezuelana (na qual tem forte peso as Forças Armadas) levaram o país a uma catástrofe econômica, abrindo caminho à ofensiva da direita golpista.

Por isso,

chamamos as centrais sindicais brasileiras, em primeiro lugar a CUT e a CTB - dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, que se dizem contrários à intervenção imperialista dos EUA - os partidos da esquerda como o PSOL, movimentos sociais como o MTST, para organizar um grande ato em repúdio à tentativa de um golpe de Estado na Venezuela

Colocamos a proposta de um grande ato unificado à consideração das organizações sindicais, da esquerda e de todos os lutadores sociais que enxergam a importância de enfrentar o imperialismo e seus capachos na América Latina, como o reacionário governo Bolsonaro.




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