Educação

Grupo fardado dá curso nas escolas de SP com autorização do governo

quinta-feira 23 de agosto| Edição do dia

Na última sexta-feira (17), professores que participavam da reunião de representantes de escola do sindicato de professores (Apeoesp), denunciaram que diversas escolas, das regiões norte, leste e central de São Paulo, estão recebendo a visita de grupos fardados, que preparam e fazem propaganda das forças armadas chamados IOPEM (Instituto de Orientação e Preparação as Escolas Militares) e CEPM (Centro de Educação Pré-militar) panfletando e divulgando cursos para o ingresso nas carreiras militares como exército, marinha e polícia militar. As visitas são autorizadas pela Secretaria Estadual de Educação, como mostra os panfletos dos dois grupos.

O absurdo piora no caso da escola estadual Rômulo Pero, zona norte de São Paulo, na qual o IOMPEM permaneceu durante 10 semanas dentro da escola, com a desculpa de ser um curso preparatório para o acesso as forças armadas, com anuência da direção.

Os alunos eram ensinados a marchar, a dar gritos de guerra e cantar hinos do exército. O grupo permaneceu dentro das unidades escolares fardados e os alunos faziam o curso no contra-turno para da aulas regulares, com a opção de continuar o curso fora das dependência das escola, pagando uma mensalidade.

A sala multimídia e a quadra estiveram sobre o controle do IOPEM, numa unidade de ensino regular sem nenhuma supervisão de funcionários da escola, o que prejudicou a própria utilização dos espaços pelos alunos e professores.

Alunas relataram também casos de assédio por parte dos instrutores do IOPEM com as alunas, em um dos casos a aluna e seus familiares chegaram a registrar um boletim de ocorrência.

Professores indignados relaram que estão com o conteúdo e a carga horária de seus matérias prejudicados já que durante 10 semanas tiveram que dividir o horário escolar com as atividades do grupo. Publicamos aqui os relatos de dois professores da escola Romulo Pero, que preferiram não se identificar por medo de represálias.

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Professores que se colocaram contra esse absurdo dentro das unidades escolares se preocupam agora com as consequências que podem sofrer por terem denunciado que tudo isso aconteceu dentro de escolas públicas com o conhecimento das direções de escolas, diretorias de ensino, que deixaram claro que a ação desses grupos tem autorização da Secretária de Educação. Os professores da escola Rômulo Pero se reuniram para denunciar diretamente ao Ministério Público, que aceitou a denuncia e já passou a investigar o caso, com uma Ação Civil Pública, e também na ouvidoria do estado, na qual a resposta foi evasiva e descabida, que publicizamos ao final da matéria.

Em outra escola uma professora denunciou que os alunos que ingressaram no curso pago na unidade do grupo paramilitar contaram que lá realizam práticas como acariciar, nomear e depois matar galinhas estranguladas para que as crianças levassem para casa a cabeça das galinhas mortas como lembrança. A professora relatou ainda que os alunos mostram fotos e vídeos comprovando as atividades nas dependências dos grupos paramilitares.

Outras escolas como CEPAV, Júlio Pestana, Pedro Alexandrino, Amaral Melo e Guilherme de Almeida também relataram panfletagens dos mesmos grupos fardados.








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