Teoria

MARX NA UFRGS

Grupo de estudos Marx na UFRGS: as ideias comunistas para responder a realidade

No dia 3 de abril demos início ao grupo de estudos marxistas “Marx na UFRGS”. O grupo impulsionado pela juventude Faísca e pelo grupo de mulheres Pão e Rosas busca trazer aos estudantes o marxismo como guia para a ação política.

sexta-feira 12 de abril| Edição do dia

Nesta primeira sessão do grupo, a discussão foi em base aos dois primeiros capítulos do Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels de 1848, um dos principais documentos já escritos na história do movimento operário moderno e que se constituiu como marco fundador do socialismo científico.

Com mais de 10 anos de uma crise capitalista sem nenhuma solução à vista, consideramos necessário retomar o marxismo como um guia para ação dos trabalhadores e da juventude, para responder como enfrentar a era Trump e Bolsonaro, os avanços do golpe institucional no Brasil e os grandes problemas internacionais a partir de uma perspectiva anticapitalista e revolucionária.

O marxismo revolucionário precisa ser resgatado dentro da universidade. A maioria dos professores trata Marx como um importante filósofo (manuscritos), um grande economista (capital) ou mesmo um sociólogo renomado (ideologia alemã), “departamentalizando” seu conhecimento. O que todos fazem em comum é tentar apagar o potencial revolucionário de suas ideias e a atualidade de seus escritos.

O marxismo é uma ferramenta para a atuação na realidade. Essa é a parte mais perigosa de seu legado e a academia burguesa tem medo disso, por isso tantos intelectuais distorcem as ideias de Marx. Criam diversas teses sobre a “mutação do capitalismo” para dizer que Marx está inválido para nossos dias. Contra isso, queremos cavar uma trincheira ideológica para combater as ideias derrotistas e burguesas da UFRGS, tanto da teoria, quanto na prática.

Analisamos desde o contexto em que surgiu o manifesto, escrito em meio à crise econômica que culmina em processos revolucionários por toda Europa no ano de 1848, conhecida como a Primavera dos Povos, onde Marx e Engels respondendo à necessidade de haver um documento que condensasse as idéias para a ação da classe operária naquele momento. Trouxemos a definição de que naquele momento de crise em 1848 se tratava não de uma crise de agonia do sistema capitalista, como definia Marx então, mas como disse Trotsky se tratava de uma crise de parto do capitalismo.

Foram abordadas definições chave de Marx, como de que a luta de classes é o motor da história no marco de todas as sociedades de classe que existiram, assim como no capitalismo, em que analisamos mais detidamente a oposição entre a classe operária e a classe burguesa. Uma classe majoritária e que tudo produz, que entretanto é dominada por outra classe minoritária que se apropria do trabalho da primeira.

A classe burguesa domina a classe operária, mas não o faz “ao natural”, possui seu mecanismo de dominação que é o Estado burguês, responsável por gerir os interesses da burguesia e manter a classe trabalhadora submissa sob ameaça da repressão armada. Neste ponto foi oportunamente ressaltado o abandono dessas definições por grande parte da esquerda, que considera possível obter o poder por dentro do Estado burguês e não por uma revolução, justamente por que, ao invés de considerar o Estado como um instrumento de dominação de classe, o toma por uma espécie de “árbitro” dos antagonismos de classe.

Avaliamos a forma como Marx define o capitalismo como um sistema de crises constantes, que para sair destas crises cria cenários caóticos e violentos como guerras, destruição de forças produtivas, mercadorias e pessoas ou um aprofundamento da exploração contra os trabalhadores. Foram traçados paralelos com exemplos históricos como a crise de 29 e a 2ª guerra; crise do petróleo nos anos 70 e o neoliberalismo; e a crise de 2008 e os ataques que os governos capitalistas buscam aplicar para explorar ainda mais os trabalhadores, como a terceirização irrestrita e reforma trabalhista de Temer ou a Reforma da Previdência de Bolsonaro e Guedes.

São todas definições importantíssimas para pensar a atuação de uma esquerda revolucionária, que seguem atuais em nossos dias. Num momento em que no campo da esquerda, primam concepções reformistas, que seguem o receituário liberal de disputar instituições que seriam supostamente “neutras” em sua natureza, como o governo, o judiciário, a polícia, etc.

É um cenário ideológico diverso do que víamos alguns anos atrás. De um tempo pra cá a direita se postula como o verdadeiro agente de mudança da sociedade, se radicalizando e tentando passar uma imagem de “subversiva” e “contra tudo que está aí”, num esforço cínico para defender um sistema que nos oprime há séculos. Porém não vemos resposta à altura em grande parte da esquerda, que ou diretamente atua para voltar à cabeça do regime burguês em 2022 como o PT, ou adota um discurso reformista de mudanças por dentro das instituições como o PSOL, que assim se adapta à estratégia petista. Enquanto as palavras “marxismo”, “comunismo” ou “revolução” saem pejorativamente da boca da direita, a esquerda finge que nem conhece esses termos.

Vivemos uma época de crise profunda do sistema capitalista que amarga recessão atrás de recessão e uma vez mais tenta jogar nas costas da classe operária o preço dessa crise. Não é a toa que as idéias comunistas geram tanto ódio aos poderosos que fazem de tudo e usam de todos os meios para deturpar a história de luta e organização da classe trabalhadora. Num momento no Brasil em que a extrema direita e os capitalistas tentam retirar direitos históricos e reprimir nossas liberdades é preciso retomar o trabalho da estratégia e da luta de classes para construirmos uma alternativa de poder da classe trabalhadora. Como dizia Lenin: “Não existe movimento revolucionário, sem teoria revolucionaria”.

Se os bolsonaristas temem tanto o marxismo, temos que dar a eles um bom motivo para isso! Nós da juventude Faísca e do grupo de mulheres Pão e Rosas, agrupações impulsionadas pelo MRT – Movimento Revolucionário de Trabalhadores, batalhamos na UFRGS e em todos os locais de estudo e trabalho em que estamos para forjar uma ala revolucionária de estudantes e trabalhadores para dar uma saída para a crise que não resulte mais exploração e opressão contra a classe trabalhadora, os negros, as mulheres, as LGBTs e à juventude, como querem os capitalistas. Lutamos por uma estratégia e um programa revolucionários para dar um fim ao capitalismo.

Convidamos a todos a fazer parte deste grupo de estudos e conhecer mais as idéias revolucionárias.

No próximo encontro debateremos família e religião e a questão da mulher. Não perca! Será em base aos textos "O Comunismo e a Família", de Alexandra Kollontai e a introdução à "Crítica da Filosofia do Direito de Hegel", de Marx.

Contatos: 51 8220 4404 / 51 9551 2764




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